sexta-feira, 28 de novembro de 2014

maria do rosário pedreira _ guarda tu agora


 guarda tu agora


Guarda tu agora o que eu, subitamente, perdi
talvez para sempre - a casa e o cheiro dos livros,
a suave respiração do tempo, palavras, a verdade,
camas desfeitas algures pela manhã,
o abrigo de um corpo agitado no seu sono. Guarda-o


serenamente e sem pressa, como eu nunca soube.
E protege-o de todos os invernos - dos caminhos
de lama e das vozes mais frias. Afaga-lhe
as feridas devagar, com as mãos e os lábios,
para que jamais sangrem. E ouve, de noite,
a sua respiração cálida e ofegante
no compasso dos sonhos, que é onde se esconde
os mais escondidos medos e anseios.


Não deixes nunca que se ouça sozinho no que diz
antes de adormecer. E depois aguarda que,
na escuridão do quarto, seja ele a abraçar-te,
ainda que não te tenha revelado uma só vez que o queria.


Acorda mais cedo e demora-te a olhá-lo à luz azul
que os dias trazem à casa quando são tranquilos.
E nada lhe peças de manhã - as manhãs pertencem-lhe;
deixa-o a regar os vasos na varanda e sai,
atravessa a rua enquanto ainda houver sol. E assim
haverá sempre sol e para sempre o terás,
como para sempre o terei perdido eu, subitamente,
por assim não ter feito.


maria do rosário pedreira
a casa e o cheiro os livros
gótica
2002

ADRIANO CORREIA DE OLIVEIRA - CANTAR DE EMIGRAÇÃO



Letra:

Este parte, aquele parte 
e todos, todos se vão 
Galiza ficas sem homens 
que possam cortar teu pão 

Tens em troca 
órfãos e órfãs 
tens campos de solidão 
tens mães que não têm filhos 
filhos que não têm pai 

Coração 
que tens e sofre 
longas ausências mortais 
viúvas de vivos mortos 
que ninguém consolará

Adriano Correia de Oliveira - Canção com Lágrimas





Eu canto para ti um mês de giestas
Um mês de morte e crescimento ó meu amigo
Como um cristal partindo-se plangente
No fundo da memória perturbada

Eu canto para ti um mês onde começa a mágoa
E um coração poisado sobre a tua ausência
Eu canto um mês com lágrimas e sol o grave mês
Em que os mortos amados batem à porta do poema

Porque tu me disseste quem em dera em Lisboa
Quem me dera me Maio depois morreste
Com Lisboa tão longe ó meu irmão tão breve
Que nunca mais acenderás no meu o teu cigarro

Eu canto para ti Lisboa à tua espera
Teu nome escrito com ternura sobre as águas
E o teu retrato em cada rua onde não passas
Trazendo no sorriso a flor do mês de Maio

Porque tu me disseste quem em dera em Maio
Porque te vi morrer eu canto para ti
Lisboa e o sol Lisboa com lágrimas
Lisboa a tua espera ó meu irmão tão breve
Eu canto para ti Lisboa à tua espera...

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Rokia Traore - Sabali



Rokia Traores song Sabali, 
along with a beautiful slideshow of africa and its people.

Ayub Ogada - Kothbiro







Kenyan singer-songwriter Ayub Ogada was a busker on the Northern Line when he came to Real World's attention in the late 80s. And this 1993 set - his only record for the label - proved that it was a meeting of minds, with his disarmingly simple arrangements, allowed to hang there unadorned, making a lasting 


Ayub Ogada - Kothbiro





Kenyan singer-songwriter Ayub Ogada was a busker on the Northern Line when he came to Real World's attention in the late 80s. And this 1993 set - his only record for the label - proved that it was a meeting of minds, with his disarmingly simple arrangements, allowed to hang there unadorned, making a lasting 

Acabe com as quedas para a desgraça - APSI





Publicado a 16/11/2014
“Acabe com as quedas para a desgraça” é uma campanha A.P.S.I. de sensibilização com o objetivo de alertar para o problema das quedas nas crianças. Estas quedas, especialmente graves quando ocorrem de alturas elevadas, nomeadamente de janelas e varandas sem proteção adequada, conduzem em muitos casos à morte.
A associação quer atingir públicos distintos: os encarregados de educação para que se informem sobre as medidas de segurança a tomar; os projetistas e construtores para que adotem as melhores práticas de projeto e construção; e o poder local e central, que deve garantir a criação de legislação e normas harmonizadas de construção.

As situações de risco e os conselhos de segurança, estão disponíveis em http://apsi.org.pt/

Conceito, Realização e Edição: Luís Mileu e Ricardo Henriques
Música: Menina Estás à Janela de Vitorino
Voz: Maria Ana Bobone
Produção áudio: Rodrigo Serrão I K Branca Music
Produção: APSI
Apoio: Fundação Calouste Gulbenkian

O emprego mais difícil do mundo - legendas em português





Vídeo exibido em homenagem ao Dia das Mães, 2014

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Manuel Freire - Pedra Filosofal






Pedra Filosofal


Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.

Eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.

Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é Cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.

Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida.
Que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.

António Gedeão

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Cante alentejano - Candidatura a Património Imaterial





Cante alentejano - Filme de candidatura à lista de património imaterial da humanidade UNESCO.

Canção de Lisboa ... Jorge Palma.



A cançao de Lisboa cantada por Jorge Palma e com fotos de Lisboa... 
Uma singela homenagem a Lisboa e a Jorge Palma

João Afonso e João Lucas ::: A presença das formigas (Um Redondo Vocábul...



João Afonso e João Lucas //
'A Presença das Formigas' // do álbum 
'Um Redondo Vocábulo' de 2009 //


Carminho - Chuva no Mar com Marisa Monte



Publicado a 11/11/2014
Retirado do álbum "Canto" (2014)
Música: Marisa Monte
Letra: Arnaldo Antunes

Rádio Comercial | Parabéns Carlos do Carmo

Publicado a 20/11/2014

No dia em que recebe o Grammy "Lifetime Achievement Award", Carlos do Carmo recebe a homenagem da Rádio Comercial 

Rádio Comercial | Making Of dos 'Parabéns a Carlos do Carmo'





A Rádio Comercial juntou 35 artistas para cantarem "Lisboa Menina e Moça”, como tributo ao Grammy "Lifetime Achievement Award" que Carlos do Carmo recebeu.

Aqui está o making of da música e vídeo.

sábado, 22 de novembro de 2014

Manoel de Barros_19/12/1916 - 13/11/2014

19/12/1916 - 13/11/2014


Manoel de Barros



Venho de um Cuiabá de garimpos e de ruelas entortadas.
Meu pai teve uma venda no Beco da Marinha, onde nasci.
Me criei no Pantanal de Corumbá entre bichos do chão, aves, pessoas humildes, árvores e rios.
Aprecio viver em lugares decadentes por gosto de estar entre pedras e lagartos.

Já publiquei 10 livros de poesia: ao publicá-los me sinto meio desonrado e fujo para o Pantanal onde sou abençoado a garças.
Me procurei a vida inteira e não me achei — pelo que fui salvo.
Não estou na sarjeta porque herdei uma fazenda de gado.
Os bois me recriam. Agora eu sou tão ocaso!
Estou na categoria de sofrer da moral porque só faço coisas inúteis.
No meu morrer tem uma dor de árvore.


- Manoel de Barros,
in: "Livro das Ignorãças"




sexta-feira, 21 de novembro de 2014

alexandre o'neill / amor

amor


O amor é o amor- e depois?
Vamos ficar os dois
a imaginar, a imaginar?...

O meu peito contra o teu peito,
cortando o mar, cortando o ar.
Num leito
há todo o espaço para amar!

Na nossa carne estamos
sem destino, sem medo, sem pudor,
e trocamos- e somos um? somos dois?
espírito e calor!

O amor é o amor e depois?!


 alexandre o'neill 

álvaro de campos / apontamento

 apontamento


A minha alma partiu-se como um vaso vazio.
Caiu pela escada excessivamente abaixo.
Caiu das mãos da criada descuidada.
Caiu, fez-se em mais pedaços do que havia loiça no vaso.

Asneira? Impossível? Sei lá!
Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu.
Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir.

Fiz barulho na queda como um vaso que se partia.
Os deuses que há debruçam-se do parapeito da escada.
E fitam os cacos que a criada deles fez de mim.

Não se zanguem com ela.
São tolerantes com ela.
O que era eu um vaso vazio?

Olham os cacos absurdamente conscientes,
Mas conscientes de si mesmos, não conscientes deles.

Olham e sorriem.
Sorriem tolerantes à criada involuntária.

Alastra a grande escadaria atapetada de estrelas.
Um caco brilha, virado do exterior lustroso, entre os astros.
A minha obra? A minha alma principal? A minha vida?
Um caco.
E os deuses olham-no especialmente, pois não sabem porque ficou ali.




álvaro de campos

Oscar Peterson & Count Basie - Jumpin' At The Wood


quinta-feira, 20 de novembro de 2014

John McLaughlin, Paco DeLucia, Al DiMeola - Friday Night in San Francisc...

Mighty Sam McClain Give It Up To Love

Flamenco: Ottmar Liebert - 2 The Night

Em Portugal, Ney Matogrosso escancara a realidade do Brasil

Paulino da Viola_Coração Leviano_Acústico_MTV


Jorge Fernando - Valsa dos amantes



Jorge Fernando com o tema "Valsa dos amantes" no programa Praça da Alegria da RTP 1 (27-9-2012).

Há um sorriso pequeno nos lábios que amei 
Faz tempo que te não via e ao ver-te pensei 
Estás mudada, estou mudado 
E dos jovens que um dia se amaram nasceu este fado 

Há um sorriso pequeno no homem que eu sou 
Iniciámos o amor quando o amor nos chegou 
Não me esqueço, não te esqueças 
Que inocentes,escondidos,escondemos 
O amor feito ás pressas 

Não penses que te vejo como outrora 
A vida esgota a vida hora a hora, 
O tempo gasta o tempo e marca a gente, 
O espelho mostra como eu estou diferente 
Não estou novo não sou novo 
Mas não peças que a vida te apague do fundo de mim 

Há um sorriso pequeno nos olhos dos dois, 
Há uma dúvida triste que existe e depois 
Fico a espera,estás a espera 
Mas a voz não se atreve e uma lágrima em mim desespera 

Não penses que te vejo como outrora 
A vida esgota a vida hora a hora 
O tempo gasta o tempo e marca a gente 
O espelho mostra como eu estou diferente 
Não estou novo não sou novo 
Mas não peças que a vida te apague do fundo de mim
música de Jorge Fernando

November 3 2013 Cologne Recital - Bigger, Longer & Uncut , Raw Video Fe...

Valentina Lisitsa




Publicado a 20/12/2013
This raw video camera feed is made live from Cologne recital that was recorded for Arte TV and web broadcast, all 3+ hours of i t! Arte Live Web put a short version of it a week after the concert ( I was not asked which pieces I want or don't want ) When I realized the the video is unavailable anywhere other than France and Germany I thought it is a technical glitch. I contacted Arte and was told that " the contract with Decca doesn't allow them worldwide broadcast". I got a letter from Decca - yes, in writing, saying that it is OK ( well, it was written in lawyer's language but the OK is still OK, right?) "Armed" with a written permission I contacted Arte again and asked to please-please-please to change the settings of the video. It has been a month.... Did we all wait enough? I think so.
For my French and German fans - you can still watch a short version ( 1 hour 15 minutes) on Arte Live Web http://liveweb.arte.tv/de/video/Valen...
For the rest of the world ( which is QUITE A BIT BIGGER than France+Germany, even if Arte TV doesn't think so :)))) enjoy the full version for next 90 days! As a trade-off you have to scroll through the intermission etc and to guess the titles of pieces - or use this handy list made by Daniel Rodrigue ( thank you, Daniel!)
RACHMANINOV (Préludes)
RT: 5:52 op 32 no 5
RT: 9:28 op 32 no 12
RT: 11:40 op 32 no 10
RT: 17:41 op 23 no 5
RT: 21:18 op 23 no 6
RT: 24:12 op 23 no 2

PROKOFIEV
RT: 27:58 Piano Sonata no 7 op 83

BEETHOVEN
RT: 47:46 Piano Sonata no 23 op 57 Appassionata

CHOPIN (Nocturnes)
RT: 1:37:00 op 55 no 1
RT: 1:42:08 op 15 no 1
RT: 1:45:49 op 27 no 1
RT: 1:50:30 op 55 no 2
RT: 1:54:05 op 48 no 1
RT: 1:59:35 op 27 no 3
RT: 2:05:06 in C Sharp minor B,49
RT: 2:09:29 op 27 no 2

LISZT
RT: 2:14:25 Totentanze S 525

ENCORES

SCHUBERT / LISZT
RT: 2:30:28 Ave Maria S 557d
RT: 2:36:47 Elkrönig S 557a


LISZT
RT: 2:41:57 La Campanella
RT: 2:47:35 Hungarian Rhapsody no 12



terça-feira, 18 de novembro de 2014

Carminho e Chico Buarque | Carolina ( Video oficial )

Gisela João - Meu Amigo Está Longe

voz - Gisela João
guitarra portuguesa - Ricardo Parreira
viola - João Tiago

MEU AMIGO ESTÁ LONGE

Nem um poema, nem um verso, nem um canto
Tudo raso de ausência, tudo liso de espanto
Amiga, noiva, mãe, irmã, amante
Meu amigo está longe
E a distância é tão grande
Nem um som, nem um grito, nem um ai
Tudo calado, todos sem mãe nem pai
Amiga, noiva, mãe, irmã, amante
Meu amigo está longe
E a tristeza é tão grande
Ai esta mágoa, ai este pranto, ai esta dor
Dor do amor sózinho, o amor maior
Amiga, noiva, mãe, irmã, amante
Meu amigo está longe
E a saudade é tão grande

"Meu Amigo Está Longe" tema celebrizado por Amália Rodrigues (música de Alain Oulman e letra de José Carlos Ary dos Santos)   faz parte do disco de Gisela João .




Visita Guiada: Casa de Chá da Boa Nova, em Leça da Palmeira

A Casa de Chá da Boa Nova, em Leça da Palmeira, concelho de Matosinhos, foi a primeira peça do séc. XX a ser classificada como Monumento Nacional.
Álvaro Siza Vieira tinha tão-só 25 anos quando foi aprovado o seu projecto da Casa de Chá da Boa Nova. 






segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Crónica de Solange

Crónica de Solange
                  Vinda de Angola


Somos o povo especial escolhido do Sr.Engenheiro.
E como povo especial escolhido por ele, não temos água nem luz na cidade. Temos asfalto cada dia mais esburacado ..
Os que, de entre nós,vivem na periferia, não têm nada . Nem asfalto. Só miséria, lixo, mosquitos, águas paradas. Hospitais?!!! Nem pensar. O povo especial não precisa .. Não adoece. Morre apenas sem saber porquê. E quando se inaugura um hospital bonito e ficamos com a esperança de que as coisas vão mudar minimamente, descobre-se que as máquinas são chinesas , com manuais chineses sem tradução e que ninguém sabe operá-las...
Estas são opções especiais para um povo especial.
Educação?!! O povo especial não precisa. Cospe-se na rua ( e agora com os chineses, temos que ter cuidado para não caminharmos sobre escombros escarrados de fresco...), vandalizam-se costumes, ignoram-se tradições.
Escolas para quê e para ensinar o quê?!! Que o sr.engenheiro é um herói porque fugiu ali algures da marginal acompanhado de outros tantos magníficos?!!!
Que a Deolinda Rodrigues morreu num dia fictício que ninguém sabe qual mas nada os impediu de transformar um dia qualquer em feriado nacional?!!!!
O embuste da história recente de Angola é tão completo e manipulado que até mesmo eles parecem acreditar nas mentiras que inventaram...
Se incomodarmos o sr. engenheiro de qualquer forma, sai a guarda pretoriana
dele e nós ficamos quietos a vê-los barrar ruas anarquicamente sem nos deixar alternativas para chegarmos a casa ou aos empregos.
O povo especial nem precisa ir trabalhar se resolvem fechar as ruas.
Se saírmos para almoçar e eles bloqueiam as ruas sem qualquer explicação, só temos uma hipótese : como povo especial não precisa de comer ,dá-se meia volta de barriga vazia e volta-se para o emprego.
E isto quando não ficamos horas parados à espera que o sr.engenheiro e sua comitiva recolham aos seus lares e nos deixem, finalmente circular.

Entramos em casa às escuras e saímos às escuras. Tomamos banho de caneca.
Sim, bem à moda do velho e antigo regime do MPLA-PT do século passado.
Luanda, que ainda resiste a tantos maus-tratos e insiste em conservar os vestígios da sua antiga beleza, agora é violentada pelos chineses, sodomizada sistematicamente dia e noite. Está exaurida; de rastos, de cócoras diante dos novos "amigos" do sr.engenheiro. Eles dão-se, inclusive, ao luxo de erguerem dois a três restaurantes chineses numa mesma rua.
A ilha do Cabo tem mais restaurantes chineses que qualquer outra rua de qualquer outra cidade ocidental ou africana : CINCO!!!! A China Town instalada em Luanda.
As inscrições que colocam nos tapumes das obras em construção, admirem-se, estão escritas na língua deles. Eles são os novos senhores. Os amigos do sr.engenheiro. A par do Sr. Falcone... a este foi-lhe oferecido um cargo e passaporte diplomático.

Aos outros, que andam aos bandos, é-lhes oferecido a carne fresca das nossas meninas. Impunemente. Alegremente. Com o olhar benevolente dos canalhas de fato e gravata.
Lá fora, no mundo civilizado sem povos especiais, caçam os pedófilos. Aqui, criam e estimulam pedófilos. Acham graça.
Qualidade de vida é coisa que o povo especial nem sabe o que é. Nem quantidade de vida, uma vez que morremos cedo, assim que fazemos 40 anos.
Se vivermos mais um pouco, ficamos a dever anos à cova, pois não nos é permitida essa rebeldia.

E quem dura mais tempo, é castigado : ou tem parentes que cuidem ou vai para a rua pedir esmola!
Importam-se carros. E mais carros. De luxo. Esta é a imagem de marca deles: carros de luxo em estradas descartáveis, esburacadas. Ah... e telemóveis!!!! Qualquer Prado ou Hummer tem que levar ao volante um elemento com telemóvel.

Lá fora, no mundo civilizado sem povos especiais, é proibido o uso do telemóvel enquanto se conduz.
Aqui é sinal de status, de vaidade balofa!!!!!!!!!!
Pobre povo especial. Sem transportes, sem escolas, sem hospitais. À mercê dos candongueiros, dos "dirigentes" e dos remédios que não existem. Sem perspectivas de futuro.
Os nossos "amanhãs" já amanhecem a gemer: de fome, de miséria, de subnutrição, de ignorância, de analfabetismo , de corrupção, de incompetência, de doenças antes erradicadas , de ira contida, de revolta recalcada.
O grito está latente. Deixem-no sair : BASTA!!!!!!

Solange
Residente em Angola

"Fiz um acordo de coexistência pacífica com o tempo: nem ele me persegue, nem eu fujo dele, um dia a gente se encontra" 

sábado, 15 de novembro de 2014

Fragmento_Fernando Pessoa

luís m. castanheira

"Um homem pode, se tiver a verdadeira sabedoria, gozar o espectáculo inteiro do mundo numa cadeira, sem saber ler, sem falar com alguém, só com o uso dos sentidos e a alma não saber ser triste."
in: Fernando Pessoa_Livro do Desassossego

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

QUEEN_ Love of my life _Montereal 1981_HD 720


EUGÉNIO DE ANDRADE, Adeus, voz de Jorge Brandão




Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.

(Eugénio de Andrade)






terça-feira, 11 de novembro de 2014

Jorge Fernando . Mariza . Berg - a chuva (letra)



Caso Arrumado - Ana Moura

Estrela da tarde - Carlos do Carmo

Mafalda Arnauth - O Mar Fala de Ti

No Teu Poema Mafalda Arnauth



No teu poema
Existe um verso em branco e sem medida
Um corpo que respira, um céu aberto
Janela debruçada para a vida
No teu poema existe a dor calada lá no fundo
O passo da coragem em casa escura
E, aberta, uma varanda para o mundo.
Existe a noite
O riso e a voz refeita à luz do dia
A festa da Senhora da Agonia
E o cansaço
Do corpo que adormece em cama fria.
Existe um rio
A sina de quem nasce fraco ou forte
O risco, a raiva e a luta de quem cai
Ou que resiste
Que vence ou adormece antes da morte.
No teu poema
Existe o grito e o eco da metralha
A dor que sei de cor mas não recito
E os sonos inquietos de quem falha.
No teu poema
Existe um canto, chão alentejano
A rua e o pregão de uma varina
E um barco assoprado a todo o pano
Existe um rio
O canto em vozes juntas, vozes certas
Canção de uma só letra
E um só destino a embarcar
No cais da nova nau das descobertas
Existe um rio
A sina de quem nasce fraco ou forte
O risco, a raiva e a luta de quem cai
Ou que resiste
Que vence ou adormece antes da morte.
No teu poema
Existe a esperança acesa atrás do muro
Existe tudo o mais que ainda escapa
E um verso em branco à espera de futuro.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Mariza - O Tempo Nao Para

Música e letra / Music By: Miguel Gameiro
Arranjo musical / arranged by: Tiago Machado
Letra / Lyrics:



domingo, 9 de novembro de 2014

Waldemar Bastos - Muxima_Mix



Waldemar Bastos

Waldemar dos Santos Alonso de Almeida Bastos 
é um Músico e Cantor angolano
que combina Afropop, Português, 
e influências brasileiras.


Bernardo Sassetti - Da Noite - Ao Silêncio



UMA ESTRELA NO FIRMAMENTO DA NOSSA MEMÓRIA SENTIDA







  1. Bernardo Sassetti

    Compositor
    Bernardo da Costa Sassetti Pais, conhecido apenas por Bernardo Sassetti, foi um compositor e pianista português.
    Nascimento: 24 de junho de 1970, Lisboa
    Falecimento: 10 de maio de 2012, Cascais
    Cônjuge: Beatriz Batarda (a 2012)
    Álbuns: Dúvida, Nocturno, Carlos do Carmo & Bernardo Sassetti, Unreal: Sidewalk Cartoons, Alice, Livre, Indigo
    Filhas: Maria Fernandes Sassetti Pais, Leonor Fernandes Sassetti Pais

sábado, 8 de novembro de 2014

A Rapariga das Violetas_ Teresa Tarouca



A rapariga das violetas


Era-mos três, quando passou por nós,

Quando passou por nós, com o cesto das violetas.

Disse a primeira: - como vai cansada, e descalça, coitada, coitada,

Disse a primeira: - como vai cansada, e descalça, coitada, coitada!

Disse a última: - tão suja e desgrenhada. Olhem os pés sem cor, as unhas pretas!

Eu, a terceira: eu não disse nada, não disse nada, não disse nada.

Eu, a terceira: eu não disse nada, não disse nada, não disse nada.

…Que lindas as violetas. 


canta Teresa Tarouca (álbum: Portugal Triste)

Letra: Lima Brumon; e Música: Fernanda de Castro

The Piano - Amazing Short - Animation by Aidan Gibbons, Music by Yann Ti...

Seis Fados de Tereza Tarouca






Seis Fados de Tereza Tarouca

- Esta Gente: letra e música de Lima Brummon e Sophia de Mello Breyner / Conjunto de Guitarras de António Chainho
- Pátria: letra e música de Pedro Homem de Mello / Lima Brummon
- Portugal Triste: letra e música de Lima Brummon / Conjunto de Guitarras de António Chainho
- Saudade Silêncio e Sombra: letra e música de D. Nuno Lorena / Pedro Rodrigues
- Testamento: letra e música de Tradicional
- Tive Um Amigo e Morreu: letra e música de Pedro Homem de Mello / Alfredo Marceneiro

António Zambujo - Flagrante (Ao Vivo no Coliseu)

António Zambujo - Lambreta (Ao Vivo no Coliseu)

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

25 de Abril_Sophia de Mello Breyner Andresen

Sophia Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Portugal

6 Nov 1919 // 2 Jul 2004

Poeta

25 de Abril

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo

Sophia de Mello Breyner Andresen, 
in 'O Nome das Coisas'



Cecília Meireles_HOMENAGEM

Cecília MeirelesCecília Meireles  _ Brasil
1901 // 1964
Poeta/Escritora


De Longe Te Hei-de Amar

De longe te hei-de amar
- da tranquila distância
em que o amor é saudade
e o desejo, constância.

Do divino lugar
onde o bem da existência
é ser eternidade
e parecer ausência.

Quem precisa explicar
o momento e a fragrância
da Rosa, que persuade
sem nenhuma arrogância?

E, no fundo do mar,
a Estrela, sem violência,
cumpre a sua verdade,
alheia à transparência.

Cecília Meireles, in 'Canções'