quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Mario Goncalves_ A FÚRIA



Literatura  -  13:40
                                                       A FÚRIA


Começou lentamente!
Evoluiu de um diálogo completamente banal.
 Alimentou-se de sarcasmo, ateou-se com acusações e ressentimentos.
Subitamente, a tua fúria abateu-se sobre mim.
 Qual dique que cede, submergindo-me, arrastando-me.
Tento resistir, retribuir.
Avisto o Rubicão!
A rutura inevitável. O ponto em que o que é dito não tem retração possível.
O espaço que nos rodeia é opressivo, o ar pesado.
Recuo!
Começo a dirigir-me para a saída.
Os teus punhos cerrados atingem-me no peito.
A tua cabeça inclina-se com violência, uma madeixa do teu cabelo; Branca como a neve; roça pela minha a face.
 Nesse preciso momento recordo o nosso primeiro beijo; qual “Déjà-vu” invertido:
 Os teus punhos empurram-me frouxamente o tronco, a tua cabeça inclina-se numa fuga sem energia aos meus lábios.
E a mesma madeixa! Só que negra; a roçar-me a face, a encher-me de desejo.
Olho para ti. És bela.
A minha perceção muda. A tua fúria revela-se medo. A violência, insegurança.
Um carinho imenso por ti enche-me o peito.
 Estou na tua mente, no teu coração.
Abraço-te!
 Resistes!
Encosto a minha cara a tua.
Murmuro que te amo ao ouvido. Que sempre amei, mesmo quando pensei que não.
Que não concebo uma vida sem ti a meu lado.
Gradualmente o teu corpo perde a rigidez.
A tua face ainda resiste.
Beijo-te a orelha.
Miras-me de lado, já sem fúria nem odio.
Sorris!
Olhas-me nos olhos.
Beijo-te novamente.
Vejo-me refletido no teu olhar.
Pouso os meus lábios nos teus, que se abrem para mim.
O espaço rasga-se.
O ar entra as golfadas, puro.
O meu coração é novamente jovem, a minha paixão sábia.
 E tu meu amor, a justificação da minha existência!





LuísM Castanheira
14:49
 
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Há um provérbio chinês que diz: "A flecha atirada, não regressa". É como as palavras, em fúria atiradas. Mas o Amor, esse Amor, enraizado, tem a carapaça  resistente a momentos como este. O sentimento do que somos
fica patente ao outro e, embora as palavras magoem, elas ficarão esquecidas, perdidas, nunca atingindo o alvo.
Belo, este momento de Amor. +Mario Goncalves . Se me permite, vou guardar em texto no m/blog.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

António Jacinto_Vadiagem


Amílcar Cabral_Regresso

REGRESSO

Mamãe Velha, venha ouvir comigo
o bater da chuva lá no seu portão
É um bater amigo
que vibra dentro do meu coração.

A chuva amiga, Mamãe Velha, a chuva,
que há tanto tempo não batia assim...
Ouvi dizer que a Cidade-Velha,
- a ilha toda -
Em poucos dias já virou jardim...

Dizem que o campo se cobriu de verde,
da cor mais bela, porque é a cor da esp'rança.
Que a terra, agora, é mesmo Cabo Verde.
- É a tempestade que virou bonança...

Venha comigo, Mamãe Velha, venha,
Recobre a força e chegue-se ao portão.
A chuva amiga já falou mantenha
E bate dentro do meu coração!


(Amílcar Cabral)_GUINÉ-BISSAU


quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Jorge Fernando - Desespero (com Virgul e Dino d´Santiago)



letra

Desespero... o mar turva-se aos meus olhos
Porque o céu amua com a terra e entristece
Desespero... roça a minha fantasia
A língua da serpente e o meu céu não amanhece

Rasga a seda do meu sonho
Toma-me em teus braços nos instantes do delírio
Rasga o ventre do teu dono
Com a sinfonia nos compassos do martírio

Salva-me...
Amor salva-me
Estrela sensual que o meu céu seduz
Amor salva-me...
Vem e salva-me
Olhar tropical que ao meu olhar dá luz

Desespero... mordo a minha consciência
Em três Avé Marias onde salvo a existência
Desespero... estendo a minha cobardia
Nos lençóis de linho onde existe a tua ausência

Sopra o vento
E o pensamento teima em persegui-lo num perfeito desatino
Rola o tempo
E o coração aceita as leis da vida, indiferente ao seu destino

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Naquela mesa




 
letra

Naquela mesa ele sentava sempre
E me dizia sempre o que é viver melhor
Naquela mesa ele contava histórias
Que hoje na memória eu guardo e sei de cor
Naquela mesa ele juntava gente
E contava contente o que fez de manhã
E nos seus olhos era tanto brilho
Que mais que seu filho
Eu fiquei seu fã

Eu não sabia que doía tanto
Uma mesa num canto, uma casa e um jardim
Se eu soubesse o quanto dói a vida
Essa dor tão doída não doía assim
Agora resta uma mesa na sala
E hoje ninguém mais fala do seu bandolim
Naquela mesa tá faltando ele
E a saudade dele tá doendo em mim
Naquela mesa tá faltando ele
E a saudade dele tá doendo em mim

Eu não sabia que doía tanto
Uma mesa num canto, uma casa e um jardim
foto luís castanheira
Se eu soubesse o quanto dói a vida
Essa dor tão doída não doía assim
Agora resta uma mesa na sala
E hoje ninguém mais fala do seu bandolim
Naquela mesa tá faltando ele
E a saudade dele tá doendo em mim                                          
Naquela mesa tá faltando ele
E a saudade dele tá doendo em mim

Naquela mesa tá faltando ele
E a saudade dele tá doendo em mim
Naquela mesa tá faltando ele
E a saudade dele tá doendo em mim.

Música:Sérgio Bittencourt


À beira do Tejo
um café e um desejo:
não demores!
Límpida suavidade
É a espera de verdade.
(por ti, Sofia)



Alberto Caeiro [Fernando Pessoa], dito por Pedro Lamares


Se eu pudesse trincar a terra toda 
E sentir-lhe um paladar, 
Seria mais feliz um momento ... 
Mas eu nem sempre quero ser feliz. 
É preciso ser de vez em quando infeliz 
Para se poder ser natural... 
Nem tudo é dias de sol, 
E a chuva, quando falta muito, pede-se. 
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade 
Naturalmente, como quem não estranha 
Que haja montanhas e planícies 
E que haja rochedos e erva ... 
O que é preciso é ser-se natural e calmo 
Na felicidade ou na infelicidade, 
Sentir como quem olha, 
Pensar como quem anda, 
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre, 
E que o poente é belo e é bela a noite que fica... 
Assim é e assim seja ...

Alberto Caeiro [Fernando Pessoa], dito por Pedro Lamares

Há 79 anos morre um dos poetas maiores da língua portuguesa Fernando Pessoa!)

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

maria do rosário pedreira _ guarda tu agora


 guarda tu agora


Guarda tu agora o que eu, subitamente, perdi
talvez para sempre - a casa e o cheiro dos livros,
a suave respiração do tempo, palavras, a verdade,
camas desfeitas algures pela manhã,
o abrigo de um corpo agitado no seu sono. Guarda-o


serenamente e sem pressa, como eu nunca soube.
E protege-o de todos os invernos - dos caminhos
de lama e das vozes mais frias. Afaga-lhe
as feridas devagar, com as mãos e os lábios,
para que jamais sangrem. E ouve, de noite,
a sua respiração cálida e ofegante
no compasso dos sonhos, que é onde se esconde
os mais escondidos medos e anseios.


Não deixes nunca que se ouça sozinho no que diz
antes de adormecer. E depois aguarda que,
na escuridão do quarto, seja ele a abraçar-te,
ainda que não te tenha revelado uma só vez que o queria.


Acorda mais cedo e demora-te a olhá-lo à luz azul
que os dias trazem à casa quando são tranquilos.
E nada lhe peças de manhã - as manhãs pertencem-lhe;
deixa-o a regar os vasos na varanda e sai,
atravessa a rua enquanto ainda houver sol. E assim
haverá sempre sol e para sempre o terás,
como para sempre o terei perdido eu, subitamente,
por assim não ter feito.


maria do rosário pedreira
a casa e o cheiro os livros
gótica
2002

ADRIANO CORREIA DE OLIVEIRA - CANTAR DE EMIGRAÇÃO



Letra:

Este parte, aquele parte 
e todos, todos se vão 
Galiza ficas sem homens 
que possam cortar teu pão 

Tens em troca 
órfãos e órfãs 
tens campos de solidão 
tens mães que não têm filhos 
filhos que não têm pai 

Coração 
que tens e sofre 
longas ausências mortais 
viúvas de vivos mortos 
que ninguém consolará

Adriano Correia de Oliveira - Canção com Lágrimas





Eu canto para ti um mês de giestas
Um mês de morte e crescimento ó meu amigo
Como um cristal partindo-se plangente
No fundo da memória perturbada

Eu canto para ti um mês onde começa a mágoa
E um coração poisado sobre a tua ausência
Eu canto um mês com lágrimas e sol o grave mês
Em que os mortos amados batem à porta do poema

Porque tu me disseste quem em dera em Lisboa
Quem me dera me Maio depois morreste
Com Lisboa tão longe ó meu irmão tão breve
Que nunca mais acenderás no meu o teu cigarro

Eu canto para ti Lisboa à tua espera
Teu nome escrito com ternura sobre as águas
E o teu retrato em cada rua onde não passas
Trazendo no sorriso a flor do mês de Maio

Porque tu me disseste quem em dera em Maio
Porque te vi morrer eu canto para ti
Lisboa e o sol Lisboa com lágrimas
Lisboa a tua espera ó meu irmão tão breve
Eu canto para ti Lisboa à tua espera...

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Rokia Traore - Sabali



Rokia Traores song Sabali, 
along with a beautiful slideshow of africa and its people.

Ayub Ogada - Kothbiro







Kenyan singer-songwriter Ayub Ogada was a busker on the Northern Line when he came to Real World's attention in the late 80s. And this 1993 set - his only record for the label - proved that it was a meeting of minds, with his disarmingly simple arrangements, allowed to hang there unadorned, making a lasting 


Ayub Ogada - Kothbiro





Kenyan singer-songwriter Ayub Ogada was a busker on the Northern Line when he came to Real World's attention in the late 80s. And this 1993 set - his only record for the label - proved that it was a meeting of minds, with his disarmingly simple arrangements, allowed to hang there unadorned, making a lasting 

Acabe com as quedas para a desgraça - APSI





Publicado a 16/11/2014
“Acabe com as quedas para a desgraça” é uma campanha A.P.S.I. de sensibilização com o objetivo de alertar para o problema das quedas nas crianças. Estas quedas, especialmente graves quando ocorrem de alturas elevadas, nomeadamente de janelas e varandas sem proteção adequada, conduzem em muitos casos à morte.
A associação quer atingir públicos distintos: os encarregados de educação para que se informem sobre as medidas de segurança a tomar; os projetistas e construtores para que adotem as melhores práticas de projeto e construção; e o poder local e central, que deve garantir a criação de legislação e normas harmonizadas de construção.

As situações de risco e os conselhos de segurança, estão disponíveis em http://apsi.org.pt/

Conceito, Realização e Edição: Luís Mileu e Ricardo Henriques
Música: Menina Estás à Janela de Vitorino
Voz: Maria Ana Bobone
Produção áudio: Rodrigo Serrão I K Branca Music
Produção: APSI
Apoio: Fundação Calouste Gulbenkian

O emprego mais difícil do mundo - legendas em português





Vídeo exibido em homenagem ao Dia das Mães, 2014

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Manuel Freire - Pedra Filosofal






Pedra Filosofal


Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.

Eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.

Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é Cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.

Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida.
Que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.

António Gedeão

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Cante alentejano - Candidatura a Património Imaterial





Cante alentejano - Filme de candidatura à lista de património imaterial da humanidade UNESCO.

Canção de Lisboa ... Jorge Palma.



A cançao de Lisboa cantada por Jorge Palma e com fotos de Lisboa... 
Uma singela homenagem a Lisboa e a Jorge Palma

João Afonso e João Lucas ::: A presença das formigas (Um Redondo Vocábul...



João Afonso e João Lucas //
'A Presença das Formigas' // do álbum 
'Um Redondo Vocábulo' de 2009 //


Carminho - Chuva no Mar com Marisa Monte



Publicado a 11/11/2014
Retirado do álbum "Canto" (2014)
Música: Marisa Monte
Letra: Arnaldo Antunes

Rádio Comercial | Parabéns Carlos do Carmo

Publicado a 20/11/2014

No dia em que recebe o Grammy "Lifetime Achievement Award", Carlos do Carmo recebe a homenagem da Rádio Comercial 

Rádio Comercial | Making Of dos 'Parabéns a Carlos do Carmo'





A Rádio Comercial juntou 35 artistas para cantarem "Lisboa Menina e Moça”, como tributo ao Grammy "Lifetime Achievement Award" que Carlos do Carmo recebeu.

Aqui está o making of da música e vídeo.

sábado, 22 de novembro de 2014

Manoel de Barros_19/12/1916 - 13/11/2014

19/12/1916 - 13/11/2014


Manoel de Barros



Venho de um Cuiabá de garimpos e de ruelas entortadas.
Meu pai teve uma venda no Beco da Marinha, onde nasci.
Me criei no Pantanal de Corumbá entre bichos do chão, aves, pessoas humildes, árvores e rios.
Aprecio viver em lugares decadentes por gosto de estar entre pedras e lagartos.

Já publiquei 10 livros de poesia: ao publicá-los me sinto meio desonrado e fujo para o Pantanal onde sou abençoado a garças.
Me procurei a vida inteira e não me achei — pelo que fui salvo.
Não estou na sarjeta porque herdei uma fazenda de gado.
Os bois me recriam. Agora eu sou tão ocaso!
Estou na categoria de sofrer da moral porque só faço coisas inúteis.
No meu morrer tem uma dor de árvore.


- Manoel de Barros,
in: "Livro das Ignorãças"




sexta-feira, 21 de novembro de 2014

alexandre o'neill / amor

amor


O amor é o amor- e depois?
Vamos ficar os dois
a imaginar, a imaginar?...

O meu peito contra o teu peito,
cortando o mar, cortando o ar.
Num leito
há todo o espaço para amar!

Na nossa carne estamos
sem destino, sem medo, sem pudor,
e trocamos- e somos um? somos dois?
espírito e calor!

O amor é o amor e depois?!


 alexandre o'neill 

álvaro de campos / apontamento

 apontamento


A minha alma partiu-se como um vaso vazio.
Caiu pela escada excessivamente abaixo.
Caiu das mãos da criada descuidada.
Caiu, fez-se em mais pedaços do que havia loiça no vaso.

Asneira? Impossível? Sei lá!
Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu.
Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir.

Fiz barulho na queda como um vaso que se partia.
Os deuses que há debruçam-se do parapeito da escada.
E fitam os cacos que a criada deles fez de mim.

Não se zanguem com ela.
São tolerantes com ela.
O que era eu um vaso vazio?

Olham os cacos absurdamente conscientes,
Mas conscientes de si mesmos, não conscientes deles.

Olham e sorriem.
Sorriem tolerantes à criada involuntária.

Alastra a grande escadaria atapetada de estrelas.
Um caco brilha, virado do exterior lustroso, entre os astros.
A minha obra? A minha alma principal? A minha vida?
Um caco.
E os deuses olham-no especialmente, pois não sabem porque ficou ali.




álvaro de campos

Oscar Peterson & Count Basie - Jumpin' At The Wood


quinta-feira, 20 de novembro de 2014

John McLaughlin, Paco DeLucia, Al DiMeola - Friday Night in San Francisc...

Mighty Sam McClain Give It Up To Love

Flamenco: Ottmar Liebert - 2 The Night

Em Portugal, Ney Matogrosso escancara a realidade do Brasil

Paulino da Viola_Coração Leviano_Acústico_MTV


Jorge Fernando - Valsa dos amantes



Jorge Fernando com o tema "Valsa dos amantes" no programa Praça da Alegria da RTP 1 (27-9-2012).

Há um sorriso pequeno nos lábios que amei 
Faz tempo que te não via e ao ver-te pensei 
Estás mudada, estou mudado 
E dos jovens que um dia se amaram nasceu este fado 

Há um sorriso pequeno no homem que eu sou 
Iniciámos o amor quando o amor nos chegou 
Não me esqueço, não te esqueças 
Que inocentes,escondidos,escondemos 
O amor feito ás pressas 

Não penses que te vejo como outrora 
A vida esgota a vida hora a hora, 
O tempo gasta o tempo e marca a gente, 
O espelho mostra como eu estou diferente 
Não estou novo não sou novo 
Mas não peças que a vida te apague do fundo de mim 

Há um sorriso pequeno nos olhos dos dois, 
Há uma dúvida triste que existe e depois 
Fico a espera,estás a espera 
Mas a voz não se atreve e uma lágrima em mim desespera 

Não penses que te vejo como outrora 
A vida esgota a vida hora a hora 
O tempo gasta o tempo e marca a gente 
O espelho mostra como eu estou diferente 
Não estou novo não sou novo 
Mas não peças que a vida te apague do fundo de mim
música de Jorge Fernando

November 3 2013 Cologne Recital - Bigger, Longer & Uncut , Raw Video Fe...

Valentina Lisitsa




Publicado a 20/12/2013
This raw video camera feed is made live from Cologne recital that was recorded for Arte TV and web broadcast, all 3+ hours of i t! Arte Live Web put a short version of it a week after the concert ( I was not asked which pieces I want or don't want ) When I realized the the video is unavailable anywhere other than France and Germany I thought it is a technical glitch. I contacted Arte and was told that " the contract with Decca doesn't allow them worldwide broadcast". I got a letter from Decca - yes, in writing, saying that it is OK ( well, it was written in lawyer's language but the OK is still OK, right?) "Armed" with a written permission I contacted Arte again and asked to please-please-please to change the settings of the video. It has been a month.... Did we all wait enough? I think so.
For my French and German fans - you can still watch a short version ( 1 hour 15 minutes) on Arte Live Web http://liveweb.arte.tv/de/video/Valen...
For the rest of the world ( which is QUITE A BIT BIGGER than France+Germany, even if Arte TV doesn't think so :)))) enjoy the full version for next 90 days! As a trade-off you have to scroll through the intermission etc and to guess the titles of pieces - or use this handy list made by Daniel Rodrigue ( thank you, Daniel!)
RACHMANINOV (Préludes)
RT: 5:52 op 32 no 5
RT: 9:28 op 32 no 12
RT: 11:40 op 32 no 10
RT: 17:41 op 23 no 5
RT: 21:18 op 23 no 6
RT: 24:12 op 23 no 2

PROKOFIEV
RT: 27:58 Piano Sonata no 7 op 83

BEETHOVEN
RT: 47:46 Piano Sonata no 23 op 57 Appassionata

CHOPIN (Nocturnes)
RT: 1:37:00 op 55 no 1
RT: 1:42:08 op 15 no 1
RT: 1:45:49 op 27 no 1
RT: 1:50:30 op 55 no 2
RT: 1:54:05 op 48 no 1
RT: 1:59:35 op 27 no 3
RT: 2:05:06 in C Sharp minor B,49
RT: 2:09:29 op 27 no 2

LISZT
RT: 2:14:25 Totentanze S 525

ENCORES

SCHUBERT / LISZT
RT: 2:30:28 Ave Maria S 557d
RT: 2:36:47 Elkrönig S 557a


LISZT
RT: 2:41:57 La Campanella
RT: 2:47:35 Hungarian Rhapsody no 12



quarta-feira, 19 de novembro de 2014

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Carminho e Chico Buarque | Carolina ( Video oficial )

Gisela João - Meu Amigo Está Longe

voz - Gisela João
guitarra portuguesa - Ricardo Parreira
viola - João Tiago

MEU AMIGO ESTÁ LONGE

Nem um poema, nem um verso, nem um canto
Tudo raso de ausência, tudo liso de espanto
Amiga, noiva, mãe, irmã, amante
Meu amigo está longe
E a distância é tão grande
Nem um som, nem um grito, nem um ai
Tudo calado, todos sem mãe nem pai
Amiga, noiva, mãe, irmã, amante
Meu amigo está longe
E a tristeza é tão grande
Ai esta mágoa, ai este pranto, ai esta dor
Dor do amor sózinho, o amor maior
Amiga, noiva, mãe, irmã, amante
Meu amigo está longe
E a saudade é tão grande

"Meu Amigo Está Longe" tema celebrizado por Amália Rodrigues (música de Alain Oulman e letra de José Carlos Ary dos Santos)   faz parte do disco de Gisela João .




Visita Guiada: Casa de Chá da Boa Nova, em Leça da Palmeira

A Casa de Chá da Boa Nova, em Leça da Palmeira, concelho de Matosinhos, foi a primeira peça do séc. XX a ser classificada como Monumento Nacional.
Álvaro Siza Vieira tinha tão-só 25 anos quando foi aprovado o seu projecto da Casa de Chá da Boa Nova. 






segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Crónica de Solange

Crónica de Solange
                  Vinda de Angola


Somos o povo especial escolhido do Sr.Engenheiro.
E como povo especial escolhido por ele, não temos água nem luz na cidade. Temos asfalto cada dia mais esburacado ..
Os que, de entre nós,vivem na periferia, não têm nada . Nem asfalto. Só miséria, lixo, mosquitos, águas paradas. Hospitais?!!! Nem pensar. O povo especial não precisa .. Não adoece. Morre apenas sem saber porquê. E quando se inaugura um hospital bonito e ficamos com a esperança de que as coisas vão mudar minimamente, descobre-se que as máquinas são chinesas , com manuais chineses sem tradução e que ninguém sabe operá-las...
Estas são opções especiais para um povo especial.
Educação?!! O povo especial não precisa. Cospe-se na rua ( e agora com os chineses, temos que ter cuidado para não caminharmos sobre escombros escarrados de fresco...), vandalizam-se costumes, ignoram-se tradições.
Escolas para quê e para ensinar o quê?!! Que o sr.engenheiro é um herói porque fugiu ali algures da marginal acompanhado de outros tantos magníficos?!!!
Que a Deolinda Rodrigues morreu num dia fictício que ninguém sabe qual mas nada os impediu de transformar um dia qualquer em feriado nacional?!!!!
O embuste da história recente de Angola é tão completo e manipulado que até mesmo eles parecem acreditar nas mentiras que inventaram...
Se incomodarmos o sr. engenheiro de qualquer forma, sai a guarda pretoriana
dele e nós ficamos quietos a vê-los barrar ruas anarquicamente sem nos deixar alternativas para chegarmos a casa ou aos empregos.
O povo especial nem precisa ir trabalhar se resolvem fechar as ruas.
Se saírmos para almoçar e eles bloqueiam as ruas sem qualquer explicação, só temos uma hipótese : como povo especial não precisa de comer ,dá-se meia volta de barriga vazia e volta-se para o emprego.
E isto quando não ficamos horas parados à espera que o sr.engenheiro e sua comitiva recolham aos seus lares e nos deixem, finalmente circular.

Entramos em casa às escuras e saímos às escuras. Tomamos banho de caneca.
Sim, bem à moda do velho e antigo regime do MPLA-PT do século passado.
Luanda, que ainda resiste a tantos maus-tratos e insiste em conservar os vestígios da sua antiga beleza, agora é violentada pelos chineses, sodomizada sistematicamente dia e noite. Está exaurida; de rastos, de cócoras diante dos novos "amigos" do sr.engenheiro. Eles dão-se, inclusive, ao luxo de erguerem dois a três restaurantes chineses numa mesma rua.
A ilha do Cabo tem mais restaurantes chineses que qualquer outra rua de qualquer outra cidade ocidental ou africana : CINCO!!!! A China Town instalada em Luanda.
As inscrições que colocam nos tapumes das obras em construção, admirem-se, estão escritas na língua deles. Eles são os novos senhores. Os amigos do sr.engenheiro. A par do Sr. Falcone... a este foi-lhe oferecido um cargo e passaporte diplomático.

Aos outros, que andam aos bandos, é-lhes oferecido a carne fresca das nossas meninas. Impunemente. Alegremente. Com o olhar benevolente dos canalhas de fato e gravata.
Lá fora, no mundo civilizado sem povos especiais, caçam os pedófilos. Aqui, criam e estimulam pedófilos. Acham graça.
Qualidade de vida é coisa que o povo especial nem sabe o que é. Nem quantidade de vida, uma vez que morremos cedo, assim que fazemos 40 anos.
Se vivermos mais um pouco, ficamos a dever anos à cova, pois não nos é permitida essa rebeldia.

E quem dura mais tempo, é castigado : ou tem parentes que cuidem ou vai para a rua pedir esmola!
Importam-se carros. E mais carros. De luxo. Esta é a imagem de marca deles: carros de luxo em estradas descartáveis, esburacadas. Ah... e telemóveis!!!! Qualquer Prado ou Hummer tem que levar ao volante um elemento com telemóvel.

Lá fora, no mundo civilizado sem povos especiais, é proibido o uso do telemóvel enquanto se conduz.
Aqui é sinal de status, de vaidade balofa!!!!!!!!!!
Pobre povo especial. Sem transportes, sem escolas, sem hospitais. À mercê dos candongueiros, dos "dirigentes" e dos remédios que não existem. Sem perspectivas de futuro.
Os nossos "amanhãs" já amanhecem a gemer: de fome, de miséria, de subnutrição, de ignorância, de analfabetismo , de corrupção, de incompetência, de doenças antes erradicadas , de ira contida, de revolta recalcada.
O grito está latente. Deixem-no sair : BASTA!!!!!!

Solange
Residente em Angola

"Fiz um acordo de coexistência pacífica com o tempo: nem ele me persegue, nem eu fujo dele, um dia a gente se encontra"