sexta-feira, 19 de outubro de 2018

- isto não e' um poema !


 De Arnaldo Antunes, cantor brasileiro do grupo musical "Tribalistas",

 contra o Fascismo,  Bolsonaro e pelo futuro do Brasil.
 

DocLisboa_2018

“Um território de discussão e não de censura”: sete escolhas políticas para ver no Festival de Documentário de Lisboa

Imagem do filme “YOL: The Full Version”
D.R.

Filmes que contam, acusam, revelam, torcem e retorcem e exigem atenção. Filmes que podem deslocar o espectador para parte incerta - ou certa. São quase 250 as obras que passam nos próximos dez dias em Lisboa. A 16ª edição do DocLisboa começou esta quinta-feira, dia 18 de outubro, e a diretora do festival, Cíntia Gil, deixa aqui os sete filmes políticos que não deve perder. Até porque este ano o festival foi “brindado” com uma novidade: a Embaixada da Ucrânia pediu para ser retirado um filme do programa do festival (“Their Own Republic” de Aliona Polunina) e a da Turquia pediu a revisão de textos na apresentação de filmes da secção “Foco: Navegar o Eufrates – Viajar no Tempo do Mundo”. “Ninguém na equipa da Apordoc tem memória de tal ter acontecido antes, e vemos isto como um sinal preocupante. O Doclisboa é um território de discussão e não de censura”, afirma a direção do festival

1º THE WALDHEIM WALTZ DE RUTH BECKERMANN | 94’

18 outubro | Culturgest | 21H30
O primeiro destaque vai para o filme de abertura do festival, da autoria de Ruth Beckermann, porque é um filme em que a realizadora pega numa série de materiais de 1986, altura em que foi ativista contra a candidatura de Kurt Waldheim nas eleiçoes presidenciais da Áustria, e faz uma espécie de arqueologia deste homem, antigo secretário-geral da ONU. Beckermann escamoteou dois anos do passado deste homem e veio a perceber que são dois anos de proximidade ao nazismo. No fundo, Ruth Beckermann está a perguntar pela Áustria, pelo seu futuro e pelo seu presente, mostrando também que a questão da extrema direita e do fascismo não foi minimamente tratada, antes metida debaixo do tapete na Europa. A realizadora vai estar em Lisboa para assistir à sessão, portanto será interessante.

2º GOING SOUTH DE DOMINIC GAGNON | 108’

19 OUTUBRO | CULTURGEST | 21H15 e 27 OUT | SÃO JORGE | 16H30
Na secção “Riscos” quero destacar este filme, porque o Dominic trabalha uma ideia de ecologia das imagens, o que é bastante interessante hoje em dia. Ele não filma, usa imagens do Youtube e constrói narrativas através delas. Nós já mostramos um filme anterior, o Of the north (na edição do Doclisboa em 2016), e agora ele faz uma espécie de trabalho sobre o que será este mundo, numa época de notícias falsas, em que estamos constantemente a produzir notícias para a Internet e estamos sempre online. Que mundo é este em que estamos nesta permanente produção de notícias falsas?

3º ACTOS DE CINEMA DE JORGE CRAMEZ | 115’


25 OUTUBRO | CULTURGEST | 21H30 e 28 OUTUBRO | CINEMA IDEAL | 22H15
Mais um filme da secção “Riscos” que não parecendo político é muito político. É um filme que representa 20 anos de trabalho do Jorge Cramez em rodagens em que participou. Cramez foi filmando essas rodagens, portanto há momentos de realizadores que já não estao entre nós - como o Fernando Lopes ou o José Álvaro Morais -, mas há também o Miguel Gomes, a Teresa Villaverde, a Catarina Ruivo, etc. “Actos de Cinema” revela entrevistas com muitos desses realizadores, atores e técnicos. E portanto, creio que é fundamental ver este filme, porque ali temos de facto contacto com aquilo que é o cinema português e as suas condições de produção.

4º THE VAMPIRES OF POVERTY DE CARLOS MAYOLO E LUIS OSPINA | 29’

23 OUTUBRO | CINEMATECA | 21H30
Este é um filme mítico de Luis Ospina. Realizado na segunda metade dos anos 70, em 1978, com o Carlos Mayolo, é um falso documentário em que ensaiam o conceito de porno-miséria. A obra é bastante sarcástica (e acaba por ser trágico-cómica) e consiste numa falsa equipa de televisão que vai para Cali, na Colômbia - terra natal de Luis Ospina - para filmar a pobreza e depois a vender a um canal alemão. No fundo, é um filme que vai parodiando essa ânsia de produção de imagens da miséria e a própria fetichização da pobreza, que acaba por ser um produto altamente vendável na Europa.
Na mesma sessão passam mais duas curtas de Luis Ospina. “Listen, Look!” - um filme sobre as consequências dos VI Jogos Pan-Americanos na cidade de Cali do ponto de vista dos que não tinham dinheiro para entrar nos estádios e “Eye and View: the Artist’s Life is in Danger” em que, dez anos após “The Vampires of Poverty”, o realizador reencontra um dos seus personagens principais, artista de rua, que ainda interpreta o mesmo espectáculo. Ao ver o filme, o artista reflete sobre a vida, o trabalho e o próprio filme.

5º RESURRECTION DE ORWA AL MOKDAD | 18’

23 OUTUBRO | CULTURGEST | 21H45 e 25 OUTUBRO | CULTURGEST | 14H00
Na “Competição Internacional”, vou salientar “Resurrection” de Orwa Al Mokdad, uma curta metragem do realizador sírio, que ganhou um prémio no Doclisboa em 2016 (Prémio FCSH para Melhor Primeira Obra transversal a Competições e Riscos), com “300 Hundred Miles”. Em “Resurrection” ele teatraliza e dramatiza, numa espécie de desabafo, ou até confissão, sobre o facto de estar refugiado no Líbano e não poder voltar à sua terra, não poder completar o seu filme. É um filme testemunhal muitíssimo forte. É sempre complicado salientar filmes de competição, mas este gostava mesmo que o público o visse. Estamos a tentar que o realizador esteja presente no festival, mas ainda não sabemos se iremos conseguir.

6º THEIR OWN REPUBLIC DE ALIONA POLUNINA | 70’

22 OUTUBRO | CULTURGEST | 21H30 e 25 OUTUBRO | CULTURGEST| 10H30
É mais uma das minhas escolhas e é o filme que a Embaixada da Ucrânia nos pediu para retirar. Julgo que é importante este filme ser amplamente debatido. Somos acusados de dar voz e protagonismo, e até de apoiar, um grupo terrorista, neste caso um batalhão pró-russo na autoproclamada República de Donetsk. E, de facto, o filme é sobre esse batalhão. Mas é bem diferente mostrar uma coisa ou concordar e aderir a ela. Por um lado, quem vir o filme vai perceber que é um retrato muito alarmista e até trágico da situação absurda de homens naquela região, com valores muito mais universais do que apenas os que estão associados a esta questão na Ucrânia. Por outro lado, é a prova de que o cinema documental tem a capacidade de ir para lá dos maus caminhos e das decisões extremas e radicais que muitas vezes servem a geopolítica internacional, mas não servem as pessoas. Convidámos a embaixadora da Ucrânia para estar presente na sessão, mas não tivemos resposta.

7º YOL: THE FULL VERSION DE YILMAZ GÜNEY E ŞERIF GÖREN | 113’

19 OUTUBRO | SÃO JORGE | 22H00 e 27 OUTUBRO | SÃO JORGE | 14H00
Este filme pertence à sessão “Foco: Navegar no Eufrates, Viajar no Tempo do Mundo” e foi realizado por Ylmaz Güney e Şerif Gören. Esta obra tem uma história particular: o realizador Ylmaz Güney foi preso político na Turquia e condenado a prisão perpétua. Depois, conseguiu sair e exilar-se em França, mas pediu a Şerif Gören - outro realizador que saiu tempos antes da prisão - para filmar este projeto, que acabou por ser montado na Suíça e ter co-produção suíça. “Yol” venceu a Palma de Ouro no Festival de Cannes em 1982, esteve banido mais de trinta anos na Turquia e depois passou no país numa versão censurada. A versão apresentada no DocLisboa é a versão restaurada estreada no Festival de Cannes de 2017 e é um filme de uma beleza extrema. Sobretudo é um filme sobre a sociedade turca e a opressão do regime, através das histórias de diferentes personagens, com diferentes origens - a questão curda está lá bem patente - e muitas vezes das suas relações familiares, com as suas mulheres, etc. É um filme profundamente tocante e comovente e ao mesmo tempo tem uma dimensão política enorme, tanto que é polémico ao ponto da Embaixada da Turquia pressionar o DocLisboa no sentido de retirar as sinopses do filme do programa do festival. Mais um caso em que o festival gostaria de ter representantes da embaixada para debater ideias no final da sessão de cinema.
P.S.: Uma última nota para a “Sessão Descontraída”, que vai na sua segunda edição no DocLisboa. Diz a sinopse que “é uma sessão destinada a todos os indivíduos e famílias que prefiram um ambiente com reduzidos níveis de ansiedade, famílias com crianças pequenas, pessoas com deficiências sensoriais, sociais ou de comunicação, pessoas com condições do espectro autista, incluindo Síndroma de Asperger, pessoas com deficiência intelectual, crianças com défice de atenção, pessoas com Síndroma de Down, pessoas com Síndroma de Tourette e seniores em estados iniciais de demência”. Terá a duração de 58 minutos e acontece a 28 de outubro às 11h na sala 2 do cinema São Jorge. "

in: jornal "Expresso"

Ailton Krenak_entrevista




"[...] As crianças indígenas não são educadas, mas orientadas. Não aprendem a ser vencedores, porque, para uns vencerem, outros têm de perder. [...]"




“Somos índios, resistimos há 500 anos. 

Fico preocupado é se os brancos vão 

resistir”


Há 30 anos, em plena Assembleia Constituinte, pintou o rosto de negro, declarou guerra aos políticos brasileiros e venceu. Ailton Krenak tem agora 65 anos, já viu muito e o que não viu, recorda-se, numa memória que lhe foi legada pelos antepassados. Líder indígena, assume-se e ao seu povo como sobreviventes de um genocídio. Mas teme pelo futuro dos brancos, aqueles que nunca aprenderam a pisar com leveza a “Mãe Terra” e que por isso poderão acabar “enterrados no próprio vómito”




Quando uma criança krenak nasce, não vai para a creche, fica com a mãe, as avós e as tias. Partilham um quotidiano e um modo de estar na vida. As crianças indígenas não são educadas, mas orientadas. Não aprendem a ser vencedores, porque, para uns vencerem, outros têm de perder. Aprendem a partilhar o lugar onde vivem e o que têm para comer. Têm o exemplo de uma vida onde o indivíduo conta menos do que o coletivo. Este é o mistério indígena, um legado que passa de geração para geração. Ailton carrega no apelido a pertença à sua gente, o povo krenak. E a sua memória mais antiga é muito simples: “Eu não sei viver sozinho.”
Esteve esta semana em Portugal para participar no Fórum Internacional de Festivais de Cinema de Ambiente, em Seia, onde realizadores de mais de 30 países estiveram reunidos e demonstraram preocupação com o rumo político do Brasil e as consequências das eleições presidenciais na preservação da floresta amazónica. Antes de regressar a casa, Ailton Krenak conversou com o Expresso.
Que povo é o seu?
Krenak.
O que quer dizer?
Numa das línguas nativas do Brasil que restaram, kren quer dizer cabeça, e nak é terra. Logo, nós somos a cabeça da terra. Escutando os velhos e perguntando sobre a nossa história, entendi que somos uma das últimas famílias de um povo que, quando D. João VI chegou ao Brasil, habitava uma região conhecida como a Floresta do Rio Doce. Os viajantes se referem a ela como uma floresta tão impressionante como a Mata Atlântica ou a Floresta Amazónica. Era uma muralha natural no caminho do ouro e dos diamantes que vinham do interior. Mas a Coroa precisava de dinheiro e os colonos não eram bobos e pressionaram D. João VI para que libertasse a entrada na floresta. Os nossos antepassados, chamados botocudos, resistiram bravamente a essa investida e a nossa aldeia foi o último lugar a ser colonizado, já tardiamente, por volta de 1910. Nessa altura ainda havia caçadores e recoletores andando nessa floresta. Para acabar com os botocudos, primeiro esses colonos que estavam expandindo as fronteiras internas do Brasil tiveram de devastar a floresta. Vejo um paralelo muito grande, passados quase 200 anos, com o que os brasileiros estão a fazer [agora], determinados a devastar a última grande floresta da bacia amazónica.

SEGREGADOS “NUM CAMPINHO DE CONCENTRAÇÃO”

A conversa começa assim e segue por muitos percursos, sempre sob a sombra das árvores, no meio da cidade. Rapidamente nos deparamos com as eleições presidenciais no Brasil e com a possibilidade de Jair Bolsonaro ser o escolhido pela maioria da população. O candidato já afirmou que “não vai ter nem um centímetro demarcado para reserva indígena”.
Preocupado, mas sereno, Ailton responde: “Em outras épocas, o meu povo já experimentou diferentes tipos de violência. Os botocudos foram aniquilados durante o século XIX e chegaram ao século XX quase extintos, ao ponto de sermos a única família. Os krenak têm memória da guerra descrita numa carta assinada por D. João VI, que se chamava mesmo 'guerra de extermínio à nação dos botocudos do Vale do Rio Doce'. Uma declaração de guerra contra o nosso povo.”
Uma guerra que não se pode resumir ao número de mortos. “A população de indígenas daquela região no final do século XIX era estimada em cinco mil pessoas. Só chegaram 140 indivíduos ao século XX. Era como se caísse uma bomba na Europa e ficassem umas cem mil pessoas para contar a história. Fomos vítimas de um genocídio e não há contabilidade possível. Os krenak voltaram a reunir 120 famílias. Se considerarmos cinco pessoas por família, somos pouco mais de 500. Vivemos dentro de uma pequena reserva, segregados pelo governo brasileiro, num campinho de concentração que o Estado fez para os krenak sobreviverem. Durante o período da ditadura, se constituiu num campo de reeducação, que na verdade era um centro de tortura. Já passamos por tanta ofensa que mais essa agora não nos vai deixar fora do sério. Fico preocupado é se os brancos vão resistir. Nós estamos resistindo há 500 anos.”

DECLARAÇÃO DE GUERRA

Há 30 anos, perante a Assembleia Constituinte que redigiu a lei fundamental da então recém recuperada democracia brasileira, Ailton Krenak pintou o rosto de negro e declarou guerra aos congressistas. Lutava pelos direitos do povo indígena - e venceu. Mas diz que o tempo não se repete e que hoje não voltaria a tomar a mesma atitude. “Na década de oitenta abrimos trilhas para as novas gerações buscarem o reconhecimento dos direitos das populações originárias, os indígenas, e para conscientizar a população da importância de continuarmos tendo rios, montanhas, paisagens, florestas como recursos capazes de se refazerem ao longo do tempo e como uma riqueza a ser partilhada pelas gerações futuras. É um tipo de entendimento da terra como a nossa casa comum, mas o que tem prevalecido é a ideia de que diferentes lugares do planeta podem oferecer posicionamentos estratégicos para algumas potências ou ser simplesmente fonte de suprimento daquilo que estas potências querem controlar. E pequenas nações como o Brasil e a maior parte dos países da América Latina, ex-colónias, não tiveram sequer o tempo necessário para consolidar um pensamento acerca de si mesmos. Não tenho nenhuma ilusão acerca do futuro destas pequenas nações: ou vamos experimentar grandes transformações globais na relação entre os povos ou estas pequenas nações vão ser cada vez mais territórios de disputa e enclaves das potências que têm força para decidir o jogo, que não precisa nem de ser na ONU, é decidido no mercado.”
Nações pequenas? O Brasil? “O Brasil é pequeno no sonho. Sonha pequeno. Um território que não esboça uma visão soberana pode ser grande geograficamente mas vai continuar sendo pequeno na sua expressão no mundo. A Amazónia é a maior floresta tropical do planeta que ainda tem condição de ser reguladora do clima e o Brasil quer derrubar a Amazónia. Por que eu vou achar o Brasil grande? O Brasil é menor do que a Amazónia. Eu queria que ele fosse maior.”
E como aquele país se limitou desta forma? Para Ailton, “a colonização que a Europa fez do resto do mundo desde os séculos XV e XVI imprimiu uma maneira de dominação que é como um vírus, é capaz de se auto-reproduzir, inclusive nas colónias”. E “se o Brasil foi inseminado com esta ideologia colonialista, ele vai ser capaz de reproduzir isso infinitamente, enquanto não quebrar esse ciclo colonial. O projeto político de criar uma nação chamada Brasil é tão pequeno que chega a ser menor do que a Amazónia.”

PISAR COM LEVEZA


Ailton Krenak não se esquece de um texto de 1865, atribuído a um chefe indígena da América do Norte quando abordado por um representante do governo de Washington, avisando que queriam comprar as terras dos índios. Não se esquece também de que a resposta do chefe Seatle foi de que os índios não podiam vender a terra porque a terra é maior do que os índios, é a mãe deles. “Disse aos brancos que, se algum dia eles herdassem aquela terra, que a pisassem suavemente, porque se não aprenderem a respeitar, vão acumular detritos sobre detritos até que vão acordar enterrados no próprio vómito.” Reconhece aquele texto como o primeiro manifesto ambiental do século XX, “uma ideia partilhada pelos povos que vivem nas ilhas do Pacífico, nos Andes, nas montanhas dos Himalaias, porque estes povos originários têm isso no coração, antes de ter na cabeça”. Para completar: “Talvez o que as nossas crianças aprendem desde cedo é a pôr o coração no ritmo da terra.”

Como um círculo, a conversa volta ao início, à génese: à memória e à sua partilha. Das muitas formas de as novas gerações terem acesso ao passado. Homem de longos silêncios, Ailton Krenak emudece por alguns momentos, quando questionado sobre como o legado de um povo é transmitido às gerações seguintes. “Quem dera que eu pudesse responder a uma pergunta dessas. Ao longo da minha vida inteira vou experimentar [as formas] como transmitimos aos nossos filhos e filhas os valores que nos distinguem de uma sociedade predatória, individualista e que incentiva desde cedo as crianças para a competição, a dominarem-se uns aos outros”. Para concluir com outro questionamento, ainda mais denso do que a primeiro: “Parece que o mandamento principal dessa civilização é 'dominai-vos uns aos outros', contrariando aquele outro que seria 'amai-vos uns aos outros'. Estamos nesta dualidade e podemos escolher qual o mandamento mais interessante para ensinarmos aos nossos filhos.” E Ailton despede-se de nós e do Sol, que também começa a partir. “Te mum tepó itxá, kren nabã tepó erehé”*
* “Oh Sol, você já tá indo? Eu abaixo a minha cabeça para você.”
in: jornal "Expresso"