quarta-feira, 8 de outubro de 2014

fragmento 6

     Pedi tão pouco à vida e esse mesmo pouco a vida me negou. Uma réstia de parte do sol, um campo, um bocado de sossego com um bocado de pão, não me pesar muito o conhecer que existo, e não exigir nada dos outros nem exigirem eles nada de mim. Isso mesmo me foi negado, como quem nega a esmola não por falta de boa alma, mas para não ter de desabotoar o casaco.
    Escrevo, triste, no meu quarto quieto, sozinho como sempre tenho sido, sozinho como sempre serei. E penso se a minha voz, aparentemente tão pouca coisa, não encarna a substância de milhares de vozes, a fome de dizerem-se de milhares de vidas, a paciência de milhões de almas submissas como a minha ao destino quotidiano, ao sonho inútil, à esperança sem vestígios. Nestes momentos meu coração pulsa mais alto por minha consciência dele.  Vivo mais porque vivo maior. Sinto na minha pessoa uma força religiosa, uma espécie de oração, uma semelhança de clamor. Mas a reacção contra mim desce-me da inteligência... Vejo-me no quarto andar alto da Rua dos Douradores, assisto-me com sono; olho, sobre o papel meio escrito, a vida vã sem beleza e o cigarro barato que a expender estendo sobre o mata-borrão velho. Aqui, eu, neste quarto andar, a interpretar a vida!, a dizer o que as almas sentem!, a fazer prosa como os génios e os célebres! Aqui, eu, assim!...

in: Livro do Desassossego, (Bernardo Soares) Fernando Pessoa 


sábado, 4 de outubro de 2014

Cai a Chuva no Portal_Lídia Jorge

Cai a Chuva no Portal

Cai a chuva no portal, está caindo
Entre nós e o mundo, essa cortina
Não a corras, não a rasgues, está caindo
Fina chuva no portal da nossa vida.
Gotas caem separando-nos do mundo
Para vivermos em paz a nossa vida.

Cai a chuva no portal, está caindo
Entre nós e o mundo, essa toalha
Ela nos cobre, não a rasgues, está caindo
Chuva fina no portal da nossa casa.
Por um dia todos longe e nós dormindo
Lado a lado, como páginas dum livro.


Lídia Jorge, (Inédito)

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Luís Sequeira - "Somewhere only we know" Keane - Gala 3 - The Voice Port...





Somewhere Only We Know

I walked across an empty land
I knew the pathway like the back of my hand
I felt the earth beneath my own feet
Sat by the river and it made me complete

Oh simple thing where have you gone
I'm getting old
And I need something to rely on
So tell me when you're gonna let me in
I'm getting tired
And I need somewhere to begin

I came across a fallen tree
I felt the branches of it looking at me
Is this the place we used to love?
Is this the place that I've been dreaming of?

Oh simple thing where have you gone
I'm getting old
And I need something to rely on
So tell me when you're gonna let me in
I'm getting tired
And I need somewhere to begin

So and if you have a minute why don't we go
Talk about it somewhere only we know?
This could be the end of everything
So why don't we go
Somewhere only we know?
Somewhere only we know?

[break]

Oh simple thing where have you gone
I'm getting old
And I need something to rely on
So tell me when you're gonna let me in
I'm getting tired
And I need somewhere to begin

So and if you have a minute why don't we go
Talk about it somewhere only we know?
This could be the end of everything
So why don't we go
So why don't we go

This could be the end of everything
So why don't we go
Somewhere only we know?
Somewhere only we know?
Somewhere only we know?



Um lugar que só nós conhecemos

Eu andei por uma terra vazia
Eu conhecia o caminho como a palma da minha mão
Eu senti a terra sob meus pés
Eu sentei do lado do rio e ele me completou

Oh coisa simples, pra onde você foi?
Eu estou ficando velho
E preciso de alguma coisa para confiar
Então me fale quando você vai me deixar entrar
Eu estou ficando cansado
E preciso de algum lugar para começar

Eu dei de encontro com uma árvore caida
eu senti os galhos dela olhando para mim
Esse é o lugar que nós costumávamos amar?
Esse é o lugar com que eu tenho sonhado?

Oh coisa simples, pra onde você foi?
Eu estou ficando velho
E preciso de alguma coisa para confiar
Então me fale quando você vai me deixar entrar
Eu estou ficando cansado
E preciso de algum lugar para começar

Então se você tiver um minuto por que nós não vamos
Conversar sobre isso num lugar que só nós conhecemos?
Isso poderia ser o final de tudo
Então por que nós não vamos
Para um lugar que só nós conhecemos?
Para um lugar que só nós conhecemos?

[pausa]

Oh coisa simples, pra onde você foi?
Eu estou ficando velho
E preciso de alguma coisa para confiar
Então me fale quando você vai me deixar entrar
Eu estou ficando cansado
E preciso de algum lugar para começar

Então se você tiver um minuto por que nós não vamos
Conversar sobre isso num lugar que só nós conhecemos?
Isso poderia ser o final de tudo
Então por que nós não vamos
Então por que nós não vamos

Isso poderia ser o final de tudo
Então por que nós não vamos
Para um lugar que só nós conhecemos?
Para um lugar que só nós conhecemos?
Para um lugar que só nós conhecemos?

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Train - Hey, Soul Sister (ACOUSTIC LIVE!)

Paulo Bragança - canta "a cappella"

Paulo Bragança à cappella durante as festividades do Dia de Portugal em Toronto.  Junho de 1993


letra

Por trás do espelho quem está
Ai de olhos fixados nos meus?
Alguém que passou por cá
E seguiu ao deus-dará
Deixando os olhos nos meus.

Quem dorme na minha cama,
E tenta sonhar meus sonhos?
Alguém morreu nesta cama,
E lá do alto me chama
Misturada com os meus sonhos.

Tudo o que faço ou não faço,
Ai outros fizeram assim
Daí este meu cansaço
De sentir que quanto faço
Não é feito só por mim.



Rui Veloso _primeiro beijo



Rui Veloso






Valéria Carvalho e Banda - "RUI VELOSO EM JEITO DE BOSSA"




Voz, Violão e Concepção Valéria Carvalho
Bandolim e Violão Eduardo Miranda
Contrabaixo Yuri Daniel
Acordeão Carlos Lopes

Primeiro Beijo


Recebi o teu bilhete
para ir ter ao jardim
a tua caixa de segredos
queres abri-la para mim
e tu nao vais fraquejar
ninguém vai saber de nada
juro nao me vou gabar
a minha boca é sagrada
Estar mesmo atrás de ti
ver-te da minha carteira
sei de cor o teu cabelo
sei o shampoo a que cheira
já não como, já não durmo
e eu caia se te minto
havera gente informada
se é amor isto que sinto
Quero o meu primeiro beijo
não quero ficar impune
e dizer-te cara a cara
muito mais é o que nos une
que aquilo que nos separa
Promete lá outro encontro
foi tão fogaz que nem deu
para ver como era o fogo
que a tua boca prometeu
pensava que a tua língua
sabia a flôr do jasmim
sabe a chicla de mentol
e eu gosto dela assim
Quero o meu primeiro beijo
não quero ficar impune
e dizer-te cara a cara
muito mais é o que nos une
que aquilo que nos separa.


Música: Rui Veloso
Letra: Carlos T

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Paisagens Propícias

O Sul

O sol o sul o sal
as mãos de alguém ao sol
o sal do sul ao sol
o sol em mãos do sul
e mãos de sal ao sol

O sal do sul em mãos de sol
e mãos de sul ao sol

um sol de sal ao sul
o sol ao sul
o sal ao sol
o sal o sol
e mãos de sul sem sol nem sal 

Para quando enfim amor
no sul ao sol
uma mão cheia de sal?

Ruy Duarte de Carvalho






Paisagens Propícias

Publicado a 24/01/2013
coreografia Rui Lopes Graça
música original João Lucas
figurinos e cenografia Nuno Guimarães
esculturas Issac Dikuiza Rodrigues
desenho de luz Jorge Ribeiro
interpretação Armando Mavo, Adilson Valente, André Baptista, Daniel Curti, Benjamim Curti, Samuel Curti, António Sande
produção executiva Jorge António
direção artística Ana Clara Guerra Marques
produção Companhia de Dança Contemporânea de Angola
estreia 18Jan2013 Teatro Camões (Lisboa)
dur. aprox. 1:15
M/4 anos

Da poesia à antropologia, passando pelo cinema e prolongando-se naturalmente nos confins da ficção. A obra do angolano Ruy Duarte de Carvalho (1941-2010) é uma arte genial de atravessar fronteiras -- disciplinares, geográficas e culturais. Paisagens Propícias é o nome do lugar onde o coreógrafo Rui Lopes Graça e os bailarinos da Companhia de Dança Contemporânea de Angola se encontraram para dançar o universo do autor de Vou Lá Visitar Pastores (1999), livro que o revelou ao público português e onde descreve a sua incursão por território Kuvale, que se estende para sul, passando pelo deserto do Namibe até às margens do rio Cunene. Desta e de outras viagens, vividas ou imaginadas, extraíram-se palavras, imagens, cores e sons, matéria traduzida para o corpo em "gestos que repetem outros gestos", como se lê num dos seus poemas. Através deste processo, coreógrafo e bailarinos fizeram um "caminho de regresso ao essencial", sinal de fidelidade criativa a um autor que sempre recusou a ostentação do exotismo. Fidelidade ainda à matriz experimental da Companhia de Dança Contemporânea, que sob a direção artística de Ana Clara Guerra Marques tem desenvolvido uma estratégia de criação de novas estéticas para a dança angolana.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

ahTêVê...!

..5 ...(venham mais 5)

já não sei o que pensar
de tanto 'lixo' no ar
se hei-de mudar de canal
ou simplesmente desligar
o sinal aberto a dar
nisto que nos faz tanto mal.

(mas há excepções, afinal...)


10.dez.2014_ luís castanheira







Piensa en mi


Si tienes un hondo penar, piensa en mí.. 

si tienes ganas de llorar, piensa en mí. 

Ya ves que venero tu imagen divina, 

tu párvula boca que siendo tan niña 

me enseño a pecar 


Piensa en mí cuando sufras, cuando llores 

también piensa en mí, 

cuando quieras 

quitarme la vida, no la quiero para nada, 

para nada me sirve sín tí. 


Piensa en mí cuando sufras, cuando llores, 

también piensa en mí, cuando quieras 

quitarme la vida, no la quiero para nada, 

para nada me sirve sin tí. 


Piensa en mí cuando sufras, cuando llores 

también piensa en mí, cuando quieras 

quitarme la vida, 

No la quiero para nada, 

para nada me sirve sin tí. 

Piensa en mi.

... (sofia almeida)





...


Pousa e repousa no meu coração
Deixa-te ficar e escuta o seu bater
Sente a tensão de uma luz espelhada
E parte de ti a sentença adormecida
Acende a chama em ti recalcada
Vem até mim de maneira desarrumada
Podes usar,.. podes suar
Mas pousa e repousa no meu coração
Desde que fiques a escutar a canção
Em cada batida tu vieste para ficar
Em cada arfar tu sentes a razão
Nada é eterno mas vives sereno
Porque sabes que comigo tudo é pleno
Nada é prometido tudo é amor
De quem o conhece e explode de paixão
Pousa e repousa em meu coração
Deixa-te ficar e sente a sua pressão
Tudo se transforma em belo quando estamos juntos
Em cada beijo morro e renasço de novo
Tens-me para sempre em teu enlaço!
Pousa e repousa em descanso!!


sofia almeida

in: http://jardimdepalavras.blogspot.pt/

dentro de mim


Dentro de mim




Nas masmorras da minha mente
Vive a ansiedade e a curiosidade
Nas profundezas do meu ser
Vive a necessidade de um humano melhor
Nas entranhas da minha razão vive a dúvida
Tudo o que sou e possuo desejo partilhar
Perco-me na insónia da imaginação
Privo-me de tirar partido da diversão
E acabo por me reger pela minha própria prisão
O medo de não alcançar e ter que o exteriorizar
Destroem o impulso da minha paixão
A vontade de agarrar tudo sem amarras reais
Deixam-me a levitar numa nuvem de emoção
Pressinto uma aurora voraz faminta de mim
Sem que me toque sente-me em tortura
Rasga-se de dentro a voz do coração
Que em comunhão com a alma me levam…
Me levam a viver a mais intensa experiencia de Ser
Esta oportunidade de sentir mais um dia
Que em cada alvorada me mostra uma esperança
Onde o caminho se cruza com as respostas procuradas
E a verdade nasce como água límpida vinda da fonte!..


sofia almeida

in: http://jardimdepalavras.blogspot.pt/

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Ana Moura & Camané_ Gala SPA _2011




Ana Moura e Camané

Porque te vestes de preto
Que dor é que te habitua
Quando dobras o gaveto
Ao cimo da minha rua

Que sina escondes no peito
Guardada num xaile antigo
Se é o fado que eu suspeito
Guarda-me a sina contigo

Eu nunca vesti de luto
Este vestido é o fruto
Do que a vida me tem dado
Deu-me o negro do queixume
A escuridão do ciúme
E eu pago com a luz do fado

Até a vida sombria
Deve ter uma estrela guia
Olho o céu e não a vejo
Mas as vidas são vielas
E ao descermos por elas
Vamos sempre dar ao Tejo

Não tenhas dó de nós, não vale a pena
Nenhum se vai esquecer, não tenhas medo
A lágrima perdida é tão pequena
Ao pé do que lembramos em segredo

Não quero, já te disse que não quero
Voltar àquele tempo que foi nosso
Às vezes minto quando sou sincero
É quando quero aquilo que não posso

Foste sincero
Quando te ouvi
Que não podias
Ainda te espero
Porque senti
Que me mentias

Quem nos ditou
Quem nos destina
O fim da estrada
Foi deus que errou
A nossa sina
Foi mal traçada

Disseste adeus
E bateste a porta devagar
Para ninguém notar
Que a vida nos traía
Disseste adeus
Ainda vi que tu sorriste
Vi no teu sorriso triste
Meu amor, até um dia

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Luz Casal






negra sombra


Cando penso que te fuches 
negra sombra que me asombras 
ó pé dos meus cabezales 
tornas facéndome mofa 
Cando maxino que es ida 
no mesmo sol te me amostras 
i eres a estrela que brila 
i eres o vento que zoa 
Si cantan, es ti que cantas 
si choran, es ti que choras 
i es o marmurio do río 
i es a noite i es a aurora 
En todo estás e ti es todo 
pra min i en min mesma moras 
nin me dexarás nunca 
sombra que sempre me asombras.







No Me Cuentes Tu Vida

Deberías saber
la razón del porqué
de tus muchos fracasos.
Me ha costado entender
cuánto puede doler cualquier ocaso.

Esa noche en que te despedí
los reproches fueron encerrados.
Lo que queda hoy es mi voluntad
de elegir, de pedir, de decir...

Ya no me cuentes más tu vida.
¡Vete de aquí y olvida!
No quiero más heridas,
no soy suicida.
Prefiero seguir así,
con la lección aprendida.
Ya no eres tú la sal de mi comida.
Ya no me cuentes más tu vida.

Deberías saber
que yo soy el lugar
tantas veces pisado.
Has echado a perder
lo mejor del ayer,
nuestros sueños borrados.

Hoy te miro y me cuesta creer
que viví con los ojos cerrados.
En ausencia de mi voluntad
no elegí, me callé, no pedí...

Ya no me cuentes más tu vida...
Ya no me cuentes más tu vida...





dois anónimos poemas

Anónimo
in: http://jardimdepalavras.blogspot.com/


 Anónimo disse...
Sinto a vida sem rumo, caminhando divagando, pensando e chorando assim perdida e esquecida num infinito mar de solidão, solidão não por falta de gente, mas sim por falta de rumo… Queria ser como um pássaro, voar alto, vendo apenas a beleza do mundo, da vida, mas isto é apenas um sonho meu... Vou-me encontrar, e arrancar de mim, tudo o que é intemporal, tudo o que me magoa, tudo o que me entristece, encontrando-me apenas em mim a pessoa que sou que fui que ainda cá está, com tanta vida acumulada, continuo a ser eu, mas sem rumo… Instável fiquei, descontrolada nos meus sentidos … Frustrada presa na minha mente, no meu mundo, tenho de sair, sair do que me agonia, de tudo o que me faz mal, o nosso coração bate descompassado… Rumo ao amanhã, sem cordas ou embaraços, com as costas ressequidas de gelo, esse que um dia, me congelou num oceano seco de lágrimas... E fecho os olhos, cerro os ouvidos e desligo-me da minha mente, e faço o meu rumo…
1 de Setembro de 2014 às 23:43
in: http://jardimdepalavras.blogspot.com/

Anónimo Anónimo disse...
'' Entre lindos bosques caminhei
Buscando algo que ninguém mais quer
Perdi-me em um tempo onde tudo parece irreal
Onde tudo parece cruel
Aprisionei-me em algo desconhecido
Apenas para sentir o máximo e absoluto amor por algo
Questionei-me sem pensar que uma resposta não vem através das dúvidas
Eu quis voar
Eu quis permanecer intacta diante do meu reflexo
Eu apenas quis saborear o instante em que aprendi a chorar
Eu admirei minhas lágrimas e suas suaves formas me fazem sentir algo puro
Não existe dor e sim egoísmo
Entre lindos bosques eu voltei
Voltei para a realidade de acordar
E ser livre para proferir minhas palavras
As palavras que tão incansáveis saem de meus lábios
Pois ainda permanece descansando diante de minha própria imagem
Dessa maneira consigo enxergar o quanto é bom saber chorar...!!''
1 de Setembro de 2014 às 22:40



segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Pai


Pai

Pai, dizem-me que ainda te chamo, às vezes, durante
o sono - a ausência não te apaga como a bruma
sossega, ao entardecer, o gume das esquinas. Há nos
meus sonhos um território suspenso de toda a dor,
um país de verão aonde não chegam as guinadas da
morte e todas as conchas da praia trazem pérola. Aí

nos encontramos, para dizermos um ao outro aquilo
que pensámos ter, afinal, a vida toda para dizer; aí te
chamo, quando a luz me cega na lâmina do mar, com
lábios que se movem como serpentes, mas sem nenhum
ruído que envenene as palavras: pai, pai. Contam-me

depois que é deste lado da noite que me ouvem gritar
e que por isso me libertam bruscamente do cativeiro
escuro desse sonho. Não sabem

que o pesadelo é a vida onde já não posso dizer o teu
nome - porque a memória é uma fogueira dentro
das mãos e tu onde estás também não me respondes.

Maria do Rosário Pedreira