Um dos mais belos álbuns da música portuguesa
terça-feira, 21 de junho de 2016
domingo, 19 de junho de 2016
Um Rosto_Nuno Júdice
Um Rosto
Apenas
uma coisa inteiramente transparente:
o céu, e por baixo dele a linha obscura do
nos teus olhos, que pude ver ainda
através de pálpebras semicerradas, pestanas húmidas
da geada matinal, uma névoa de palavras murmuradas
num silêncio de hesitações. Há quanto tempo,
tudo isto? Abro o armário onde o tempo antigo
se enche de bolor e fungos; limpo os papéis,
cartas que talvez nunca tenha lido até ao fim, foto-
grafias cuja cor desaparece, substituindo os corpos
por manchas vagas como aparições; e sinto, eu
próprio, que uma parte da minha vida se apaga
com esses restos.
Nuno Júdice
domingo, 12 de junho de 2016
sábado, 11 de junho de 2016
sexta-feira, 10 de junho de 2016
Estrada de Água_ Laura Santos
Todos os navios se fundem num torpor
de nevoeiro e maresias
e o pássaro azul junto ao penhasco
soltou-se mesmo agora do pavor
das minhas mãos vazias.
É jovem a maré que se das algas
enlaçada em areia movediça
na boca da praia
e o seu último grito de brancura
salpica de espuma a minha saia.
Afasto o pesado manto de nuvens
que trago nos braços
frágeis como ramos partidos
trazidos ao areal onde cheira a resina
e sal, a gestos aos bocados
em agitação e deriva arrefecidos.
Um barco balança ao longe na corrente
que arrasta das noites sem tempo
o eco em alto mar do último resgate.
Ao horizonte lanço o meu olhar desfeito
afogado no massacre rítmico que se esbate
na ondulação das vagas do meu peito
recortando a imagem do teu olhar
gravado na face do rochedo
sobrevoado por corvos marinhos,
pelo vento, e pelo medo.
Em todas as coisas que procuro
existe um traço solene e obscuro,
refém da exaltação das ondas e dos astros.
Uma luz sem cor, intensa e derramada
na mesma antiga estrada de água
onde vagueiam altivos todos os mastros
içados em miragem e sonolência.
Lugar onde ninguém habita, e todas as cores
do dia pintam ao fim da tarde
os contornos da tua ausência.
Transparência de aquário onde arde
o derradeiro instante em movimento
de conchas, estrelas, verdes peixes
rutilantes em perene milagre lento.
Mesmo que sem um adeus me deixes.
Lemes, remos, sombras de uma velha nau,
viagens de quimera e de tormenta,
corações de papel, âncoras de pau...
Mas a minha alma tudo inventa
e encontra porto seguro onde se senta.

Laura Santos
de nevoeiro e maresias
e o pássaro azul junto ao penhasco
soltou-se mesmo agora do pavor
das minhas mãos vazias.
É jovem a maré que se das algas
enlaçada em areia movediça
na boca da praia
e o seu último grito de brancura
salpica de espuma a minha saia.
Afasto o pesado manto de nuvens
que trago nos braços
frágeis como ramos partidos
trazidos ao areal onde cheira a resina
e sal, a gestos aos bocados
em agitação e deriva arrefecidos.
Um barco balança ao longe na corrente
que arrasta das noites sem tempo
o eco em alto mar do último resgate.
Ao horizonte lanço o meu olhar desfeito
afogado no massacre rítmico que se esbate
na ondulação das vagas do meu peito
recortando a imagem do teu olhar
gravado na face do rochedo
sobrevoado por corvos marinhos,
pelo vento, e pelo medo.
Em todas as coisas que procuro
existe um traço solene e obscuro,
refém da exaltação das ondas e dos astros.
Uma luz sem cor, intensa e derramada
na mesma antiga estrada de água
onde vagueiam altivos todos os mastros
içados em miragem e sonolência.
Lugar onde ninguém habita, e todas as cores
do dia pintam ao fim da tarde
os contornos da tua ausência.
Transparência de aquário onde arde
o derradeiro instante em movimento
de conchas, estrelas, verdes peixes
rutilantes em perene milagre lento.
Mesmo que sem um adeus me deixes.
Lemes, remos, sombras de uma velha nau,
viagens de quimera e de tormenta,
corações de papel, âncoras de pau...
Mas a minha alma tudo inventa
e encontra porto seguro onde se senta.

Laura Santos
terça-feira, 31 de maio de 2016
Pai
À memória de meu pai, no centenário do seu nascimento
Hoje pensei na solidão dos pássaros
quando as searas se incendeiam.
E pensei em ti, pai, que partiste tão cedo
como se tivesses vindo do lado
mais desolado das sombras.
O que sei eu das uvas entre os teus dentes
no tempo das vindimas?
Que pássaro de cinza, diz,
te sobrevoou o verde do olhar?
Se prolongasse o poema
dir-te-ia como os meus olhos te lembram.
Mas não posso. Vou devolver ao mar
as conchas negras da minha colecção.
Graça Pires
De Caderno de significados, 2013
Publicado por Graça Pires
Hoje pensei na solidão dos pássaros
quando as searas se incendeiam.
E pensei em ti, pai, que partiste tão cedo
como se tivesses vindo do lado
mais desolado das sombras.
O que sei eu das uvas entre os teus dentes
no tempo das vindimas?
Que pássaro de cinza, diz,
te sobrevoou o verde do olhar?
Se prolongasse o poema
dir-te-ia como os meus olhos te lembram.
Mas não posso. Vou devolver ao mar
as conchas negras da minha colecção.
Graça Pires
De Caderno de significados, 2013
Publicado por Graça Pires
sábado, 14 de maio de 2016
sexta-feira, 22 de abril de 2016
domingo, 17 de abril de 2016
terça-feira, 1 de março de 2016
Ana Moura *Moura #1* Moura Encantada
"Ninharia" de Ana Moura entre as cem canções favoritas da rádio pública dos EUA
ACTUALIDADELUSA20:47, 28 jun
O tema "Ninharia", do mais recente álbum de Ana Moura, faz parte da lista das cem canções favoritas deste ano da NPR, a rádio pública dos Estados Unidos, que emite para a totalidade do território norte-americano.
"Ninharia" é uma letra de Maria do Rosário Pedreira, que Ana Moura gravou na melodia do Fado Carlos da Maia de Sextilhas, e faz parte do alinhamento do álbum "Moura", editado em dezembro de 2015.
Na ocasião, em declarações à Lusa, Ana Moura afirmou que o CD "é aberto ao mundo, fazendo pontes entre diferentes tradições musicais, não esquecendo a matriz fadista", de onde a artista partiu.
O fado cantado por Ana Moura faz parte de um lista que inclui, entre outras, canções de artistas como Beyoncé, Anohni, Aurora, David Bowie, Chance the Rapper, Esperanza Spalding, Gregory Porter, Caleb Caudle, Fuego, Boris Giltberg, James Blake, Leyla McCalla e Kanye West.
"Moura", que dá título ao CD, é um tema que a poetisa Manuela de Freitas ofereceu à fadista, que o canta na melodia tradicional do Fado Cravo, de Alfredo Marceneiro.
Neste CD, pela primeira vez, a fadista canta autores como Samuel Úria, Jorge Cruz, Edu Mundo, Carlos Tê, Kalaf, numa composição de Sara Tavares, e José Eduardo Agualusa, numa música do angolano Toty Sa'Med.
O produtor de "Moura" é Larry Klein, que também produziu o álbum anterior, "Desfado". Todavia, a intérprete de "Os búzios" afirmou à Lusa que "não queria um 'Desfado dois', que foi tão 'fora da caixa', queria voltar a fazer uma coisa diferente".
"Este CD, o 'Moura', é mais atento aos pormenores", rematou.
NL // MAG
Lusa/Fim
DISCOGRAFIA
10. NINHARIA
(Letra de Maria do Rosário Pedreira e Música: Fado Carlos da Maia (Sextilhas))
Foi nessa noite maldita
Que abri a porta à desdita
De que só eu sou culpada.
Precipitada, incontida,
Expulsei-te da minha vida
Por uma coisa de nada.
Quando ela vinha a passar,
Cismei ver no teu olhar
Um brilho que me ofendia
E logo rompi os laços,
Atirei-te p'rós seus braços
Só por essa ninharia.
O que fiz não tem remédio,
Tudo é solidão e tédio,
Não mereço ser feliz.
Porque não fui eu capaz
De logo voltar atrás
E desfazer o que fiz?
Agora, quando te vejo,
Suspiro pelo teu beijo,
Mas nem pergunto aonde vais.
Chamo baixinho o teu nome
Na culpa que me consome,
Mas sei que é tarde demais.
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016
Marco Rodrigues | Quando o Fim volta ao Início
Quando o Fim volta ao Início | Marco Rodrigues
Autor da Letra: Tiago Torres da Siva
Autor da Música: Alfredo Marceneiro
Intérprete: Marco Rodrigues
Fado Tradicional: Fado Menor com Versículo
Letra:
Nunca tive tanto amor para oferecer
E sem ter a quem o dar vivo tão triste
Já nem percebo se é dor ou se é prazer
O que sinto ao recordar quando partiste
Já nem percebo se é dor ou se é prazer
O que sinto ao recordar quando partiste
Sinto ter chegado ao fim e no entanto
Sei que o fim volta ao início para nós
E que vai nascer em mim e no meu canto
Esta dor que é o meu vício e minha voz
E que vai nascer em mim e no meu canto
Esta dor que é o meu vício e minha voz
Hei-de por os teus lençóis na minha cama
Para quando adormecer longe de ti
Lembrar que uma vida a dois para quem ama
É razão para se viver como eu vivi
Lembrar que uma vida a dois para quem ama
É razão para se viver como eu vivi
E se hei-de entregar ao fado o nosso amor
Este amor que terminou ao começar
Mesmo que eu esteja calado e sem compor
É no fado que eu me dou por te adorar
Mesmo que eu esteja calado e sem compor
É no fado que eu me dou por te adorar.
sábado, 20 de fevereiro de 2016
Alma Lusa (Fim de Semana)_15.fev.2016_ I parte
Alma Lusa (Fim de Semana)
Um programa radiofónico semanal, de duas horas, com o Fado como conteúdo integral e de muito boa qualidade- Na Antena 1_ RDP, aos domingos (início da madrugada)_24.00h
Um programa radiofónico semanal, de duas horas, com o Fado como conteúdo integral e de muito boa qualidade- Na Antena 1_ RDP, aos domingos (início da madrugada)_24.00h
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016
Rádio Comercial | Ana Moura - "O Meu Amor Foi para o Brasil" ao vivo nas...
O Meu Amor Foi Para o Brasil
Compositor: Carlos Tê
O meu amor foi para o Brasil nesse vapor
Gravou a fumo o seu adeus no azul do céu
Quando chegou ao Rio de Janeiro
Nem uma linha escreveu
Já passou um ano inteiro
Deixou promessa de carta de chamada
Nesta barriga deixou uma semente
A flor nasceu e ficou espigada
Quer saber do pai ausente
E eu não lhe sei dizer nada
Anda perdido no meio das caboclas
Mulheres que não sabem o que é pecado
Os santos delas são mais fortes do que os meus
Fazem orelhas moucas do peditório dos céus
Já deve estar por lá amarrado
Num rosário de búzios que o deixou enfeitiçado
O meu amor foi seringueiro no Pará
Foi recoveiro nos sertões do Piauí
Foi funileiro em terras do Maranhão
Alguém me disse que o viu
Num domingo a fazer pão
O meu amor já tem jeitinho brasileiro
Meteu açúcar com canela nas vogais
Já dança o forró e arrisca no pandeiro
Quem sabe um dia vem
Arriscar outros carnavais
Anda perdido no meio das mulatas
Já deve estar noutros braços derretido
Já sei que os santos delas são milagreiros
Dançam com alegria no batuque dos terreiros
Mas tenho esperança de que um dia a saudade bata
E ele volte para os meus braços caseiros
Está em São Paulo e trabalha em telecom
Já deve ter “doutor” escrito num cartão
À noite samba no “Ó do Borogodó”
Esqueceu o Solidó, já não chora a ouvir Fado
Não sei que diga, ele era tão desengonçado
Se o vir já não quero, deve estar um enjoado
domingo, 14 de fevereiro de 2016
VIVIANE - Dia Novo - CD 2014 (Full Album)
VIVIANE - Dia Novo - CD 2014 (Full Album)
01-Do Chiado Até Ao Cais 00:00
02-A Plenos Pulmões 03:17
03-Dia Novo 06:27
04-Recomeçar 09:27
05-Pomar 12:49
06-Con Toda Palabra 16:08
07-Trajei-me De Branco 19:21
08-Vai Mole A Manhã 22:10
09-Era A Voz 25:46
10-A Outra 29:19
11-Poema Do Viúvo Jovem 32:10
12-Comment Te Dire Adieu 35:03
http://www.viviane.com.pt/
https://www.facebook.com/pages/Vivian...
VIVIANE - Amores Imperfeitos CD 2005 (Full Album)
VIVIANE - Amores Imperfeitos CD 2005 (Full Album)
01 - Fado mambo 00:00
02 - Alma danada 03:19
03 - Amores imperfeitos 06:41
04 - Toada dos aguaceiros 09:37
05 - Cá vou cantando 13:08
06 - A vida não chega 15:07
07 - Tempo suspenso 18:28
08 - Amaré 22:18
09 - Bailado no teu espaço 25:35
10 - Coração despido 29:01
11 - Sonho lindo 32:37
http://www.viviane.com.pt/
https://www.facebook.com/pages/Vivian...
Rua da Saudade - Estrela da Tarde - Mafalda Arnauth
RUA DA SAUDADE Canções de Ary dos Santos No ano em que assinala os 25 anos da morte de um dos mais talentosos poetas portugueses, Mafalda Arnauth, Susana Félix, Viviane e Luanda Cozetti reúnem-se para homenagear José Carlos Ary dos Santos. Numa selecção de 11 temas do vasto legado de Ary dos Santos, Rua da Saudade apresenta nova roupagem de canções singulares como Estrela da Tarde, Retalhos, Cavalo a Solta, entre outras. Um projecto único para se ouvir da primeira à última música, com interpretações que tocam diferentes sonoridades do pop, ao fado, passando pelo jazz e até o ritmo da bossa nova.
"Não apagues o amor" - Viviane
"Não apagues o amor" - tema do album "As Pequenas gavetas do Amor" de Viviane.
Apaga todas as palavras
As palavras ocas
Que trocamos à toa
Que escaparam das nossas bocas
Que atiramos ao ar
E cairam no chão
Que dissemos em vão
Apaga as palavras
Não apagues o amor
Deixa-o arder à vontade
Não apagues o amor
Esse fogo sem idade
Não apagues o amor
Deixa-o arder a vontade
Que nos venha queimar
Não apagues o amor
O amor é fogo que arde
Sem se ver...
Quanto mais se tenta apagá-lo
Mais se acende outra vez
Não apagues o amor
Deixa-o arder à vontade
Não apagues o amor
Esse fogo sem idade
Não apagues o amor
Deixa-o arder a vontade
Que nos venha queimar
Não apagues o amor
As palavras ocas
Que trocamos à toa
Que escaparam das nossas bocas
Que atiramos ao ar
E cairam no chão
Que dissemos em vão
Apaga as palavras
Não apagues o amor
Deixa-o arder à vontade
Não apagues o amor
Esse fogo sem idade
Não apagues o amor
Deixa-o arder a vontade
Que nos venha queimar
Não apagues o amor
O amor é fogo que arde
Sem se ver...
Quanto mais se tenta apagá-lo
Mais se acende outra vez
Não apagues o amor
Deixa-o arder à vontade
Não apagues o amor
Esse fogo sem idade
Não apagues o amor
Deixa-o arder a vontade
Que nos venha queimar
Não apagues o amor
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