domingo, 9 de agosto de 2015
quarta-feira, 8 de julho de 2015
"Regresso"_Graça Pires
"Regresso"
Sem mais nem menos
surgiu o passado,
corpo intranquilo
feito de sons semelhantes
aos rostos que amei,
universo donde me excluí,
mar desprovido de cais
na obliquidade dos contrastes.
Esta noite voltei à minha infância:
menina rosada de sonhos nos bolsos,
bailarina de corda na caixinha de som.
À infância regressa-se solitariamente,
subindo um rio sem margens,
até ao lugar em que a nascente
se confunde com o tempo
e o tempo se transforma em espanto.
Procuro, teimosamente,
o rasto da brisa
que me invade o corpo
e apenas sei que o sonho
é um risco inquietante,
quando a solidão tem rosto
e se conhece a posição das estrelas
no âmago das palavras.
Graça Pires, De: Poemas, 1990
publicada por Graça Pires às 13:27 a 25/Jun/2015
in:
http://ortografiadoolhar.blogspot.com/
quinta-feira, 18 de junho de 2015
CHICO BUARQUE - VALSINHA
Uma das mais belas composições musicais que, sem hesitação, classifico.
Os tons harmónicos e melódicos dão a esta criação, na minha opinião, o estatuto comparável às obras de Schubert.
Só duas Almas verdadeiramente geniais, na Cultura brasileira, poderiam criar tão sublime e intemporal sentido ao ouvido.
Gostaria de ter encontrado a voz acompanhada unicamente ao piano e em dueto com os dois compositores o que, infelizmente, não foi possível.
Talvez alguém encontre e aqui venha partilhar.
Valsinha
Voz:Chico Buarque de Holanda
Composição: Chico Buarque / Vinícius de Moraes
Um dia ele chegou tão diferente
Do seu jeito de sempre chegar
Olhou-a de um jeito muito mais quente
Do que sempre costumava olhar
E não maldisse a vida tanto
Quanto era seu jeito de sempre falar
E nem deixou-a só num canto
Pra seu grande espanto, convidou-a pra rodar
E então ela se fez bonita
Como há muito tempo não queria ousar
Com seu vestido decotado
Cheirando a guardado de tanto esperar
Depois os dois deram-se os braços
Como há muito tempo não se usava dar
E cheios de ternura e graça
Foram para a praça e começaram a se abraçar
E ali dançaram tanta dança
Que a vizinhança toda despertou
E foi tanta felicidade
Que toda cidade se iluminou
E foram tantos beijos loucos
Tantos gritos roucos como não se ouvia mais
Que o mundo compreendeu
E o dia amanheceu em paz
sexta-feira, 12 de junho de 2015
terça-feira, 2 de junho de 2015
Poema à Mãe_Eugénio de Andrade
No mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe
Tudo porque já não sou
o retrato adormecido
no fundo dos teus olhos.
Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais.
Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.
Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura.
Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos.
Mas tu esqueceste muita coisa;
esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!
Olha — queres ouvir-me? —
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;
ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;
ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal...
Mas — tu sabes — a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber,
Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.
Boa noite. Eu vou com as aves.
Eugénio de Andrade, in "Os Amantes Sem Dinheiro"
eu sei que traí, mãe
Tudo porque já não sou
o retrato adormecido
no fundo dos teus olhos.
Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais.
Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.
Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura.
Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos.
Mas tu esqueceste muita coisa;
esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!
Olha — queres ouvir-me? —
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;
ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;
ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal...
Mas — tu sabes — a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber,
Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.
Boa noite. Eu vou com as aves.
Eugénio de Andrade, in "Os Amantes Sem Dinheiro"
sexta-feira, 1 de maio de 2015
NAPOLI DEA MADRE - CRISTINA BRANCO LIVE IN NAPLES
NAPOLI DEA MADRE - CONCERTO LIVE CRISTINA BRANCO
9/11/2014 TEATRO MEDITERRANEO NAPOLI (Italy)
Cristina Branco (voce)
Ricardo Dias (piano e accordion)
Bernardo Couto (chitarra portoghese)
Bernardo Moreira (contrabbasso)
Aldina Duarte_Mulheres ao Espelho
Não Vou, Não Vou
Eu tinha as chaves da vida e não abri
As portas onde morava a felicidade
Eu tinha as chaves da vida e não vivi
A minha vida foi toda uma saudade
E tanta ilusão que tive e foi perdida
E tanta esperança no amor foi destroçada
Não sei porque porque me queixo desta vida
Se não quero outra vida para nada
Se foi para isto que nasci
Se foi para isto que hoje sou
Se foi só isto que mereci
Não vou, não vou
Podem passar bocas pedindo
Olhos em fogo tudo acabou
Pode passar o amor mais lindo
Não vou, não vou
Eu tinha as chaves da vida e fui roubada
Mataram dentro de mim toda a poesia
Deixaram só tristeza sem mais nada
E a fonte dos meus olhos que eu não queria
Letra: Júlio de Sousa
Música: Moniz Pereira
Guitarra Portuguesa: José Manuel Neto
Viola: Carlos Manuel Proença
terça-feira, 28 de abril de 2015
quarta-feira, 22 de abril de 2015
ROMANCE(S) - Dois Ponteiros
ROMANCE(S) - CD II
Letra: Maria do Rosário Pedreira /
Música: Frederico de Brito (Fado Britinho)
Música: Frederico de Brito (Fado Britinho)
Voz: Aldina Duarte
Produção, arranjos e acompanhamento musical:
Pedro Gonçalves
Editora:Sony Music
"Romance(s) é como um único fado em vários andamentos, uma história que Maria do Rosário Pedreira escreveu, Aldina Duarte cantou e Pedro Gonçalves, dos Dead Combo, produziu. Isto em dois discos: um fiel ao fado tradicional, o outro contando a mesma história como num filme.
Um romance cantado em 12 fados tradicionais, uma história de um triângulo amoroso que joga com estereótipos (a morena e a loira, o amor e a amizade) para deles extrair muito mais do que as aparências. E a mesma história reinventada por Pedro Gonçalves, que criou um segundo disco para a contar como se fosse uma banda sonora pop. Depois de Apenas O Amor (2004), Crua (2006), Mulheres Ao Espelho (2008) e Contos De Fados (2011), Aldina Duarte tem em Romance(s) o seu maior e mais arriscado desafio até à data. Curioso paralelo: o trio fictício da história ficou nas mãos de um trio criativo real (Rosário, Aldina e Pedro), que produziu uma obra extraordinária. Chega às lojas no dia 27 de Abril."
extracto da Entrevista, de NUNO PACHECO, in: Jornal "Público", de 22/04/2015
ler completo em: www.publico.pt/
sexta-feira, 17 de abril de 2015
domingo, 12 de abril de 2015
domingo, 5 de abril de 2015
N'Gola Ritmos - Monami
Lourdes Van-Dunem, ou Tia Lourdes como era conhecida em Angola, canta com os célebre N'Gola Ritmos para a RTP em 1964.
Esta é uma actuação histórica do grupo fundado por "Liceu" Vieira Dias, que viria a sofrer uma enorme repressão, terminando na prisão de dois dos seus fundadores (Amadeu e Liceu).
Por esta altura quem assegurava o grupo eram Nino, Fontinhas, Xôdo, Zé Cordeiro, Lourdes e Gégé.
Uma pérola a recordar.
O NGola Ritmos foi criado por Carlos ‘’Liceu’’ Viera Dias, Domingos Van-Dúnem, Mário da Silva Araújo, Manuel dos Passos e Nino Ndongo em 1947 como forma de afirmar a identidade angolana. As músicas eram cantadas em kimbundu, acompanhadas de violão e percussão. Nos anos 50, o grupo passou a ser formado por Liceu, Nino, Amadeu Amorim, José Maria, Euclides Fontes Pereira, José Cordeira, Lourdes Van-Dúnem e Belita Palma. Carlitos Vieira Dias uma vez disse: “o Semba é uma adaptação do ritmo Kazukuta".
Joan Baez "Diamonds & Rust"
"Diamonds & Rust", a song about Bob Dylan, written and performed by Joan Baez, is from her A&M album of the same name. Released as a single in July 1975, it achieved number 35 on the U.S. pop singles chart. The album reached number 11 on the the Billboard 200 chart, and available on CD. This sound recording is administered by UMG. I do not own the right to the song, audio, or images contained in this video. No copyright infringement is intended. This purpose of this upload is for viewer enjoyment and education not for monetary gain.
Fernando Pessoa_Livro do Desassossego _27-6-1930
27-6-1930
A vida é para nós o que concebemos dela. Para o rústico cujo campo próprio lhe é tudo, esse campo é um império. Para o César cujo império lhe ainda é pouco, esse império é um campo: O pobre possui um império; o grande possui um campo. Na verdade, não possuímos mais do que as nossas próprias sensações; nelas, pois, que não no que elas vêem, temos que fundamentar a realidade da nossa vida.
/ Isto não vêm a propósito de nada. /
in: Fernando Pessoa_Livro do Desassossego
A vida é para nós o que concebemos dela. Para o rústico cujo campo próprio lhe é tudo, esse campo é um império. Para o César cujo império lhe ainda é pouco, esse império é um campo: O pobre possui um império; o grande possui um campo. Na verdade, não possuímos mais do que as nossas próprias sensações; nelas, pois, que não no que elas vêem, temos que fundamentar a realidade da nossa vida.
/ Isto não vêm a propósito de nada. /
in: Fernando Pessoa_Livro do Desassossego
segunda-feira, 30 de março de 2015
domingo, 29 de março de 2015
quarta-feira, 18 de março de 2015
mário cesariny | autografia
[…]
M.C. - «Queria de ti um país de bondade e de bruma
queria de ti um mar de uma rosa de espuma».
Olha, eu não sei se realmente era isso que eu queria…
não sei… posso tê-lo querido. Posso ter desejado isso
diante de algumas adversidades. O poema também é
verdade, não te vou dizer mais que o que está lá escrito.
É aquilo! Fomos sempre lunáticos, lunáticos do passado
e lunáticos do futuro, não há nenhum país que esteja
quatrocentos anos à espera que um rei reapareça. Não
existe. E depois aparece um borra-botas, é ele!
Trezentos anos depois! Isto é fantástico, isto é bonito
até. É um povo menino, um povo criança, não é?
Mas depois não dá para ser país. Como a Alemanha.
Não dá… E querem que sejamos, querem-nos…
A CEE quer isso. Que sejamos. Que cresçamos.
Há uma coisa muito bonita, eu não sei alemão, e em
inglês também não averiguei, eu tenho ali um
dicionário de marinha, isto é assim, o barco assim,
a vela assado, depois há uma expressão que diz assim:
«dar a volta ao mundo», que é uma operação no alto
mar, mas tu sabes o que isto é? É fazer uma rotação
completa com o barco. Quer dizer, o mundo são eles,
não é o que está fora.
Mas suspeito muito de que isto só cá. Dar a volta ao
mundo é ir a Berlim e a Pequim, não é? Não, não, não.
É dar uma volta a esta cadeira onde eu estou, dei a
Volta ao mundo, porque o mundo sou eu.
M.C - Não, não pode ser dor. Pode-se ter saudade
de um paraíso, sabes? Saudades do inferno é que
ninguém tem. E o Pascoaes disse isso, que a saudade
é uma conjunção, um anel, um anseio de um passado
já desaparecido e de um futuro também, a chegar.
São duas coisas juntas. Porque tornar presente uma
coisa que já passou, já é de alguma maneira futurá-la,
não é?
Tenho ali muitos livros sobre a saudade… agora, é
uma coisa um bocado portuguesa, não é? Porque
somos um país aqui do extremo da Europa, aqui à
beira-mar… não temos muitas hipóteses. Então,
sonhamos, sonhamos muito. Muito sonhadores…
quer dizer… tenho saudades de comer uma grande
lagosta, tenho saudades de quê? De?...
olha, tenho saudades de voar! Ah! Isso tenho!
Porque eu, não sei desde quando, mas quase desde
miúdo, até aos cinquenta anos, todas as noites,
eu já adormecia a sorrir de gozo, porque sonhava
SEMPRE que voava, e era uma coisa tão boa,
tão boa… uiiiii!
E eu orientava-me! E depois não tinha… quer dizer,
não havia paisagem. Era o espaço puro… não se via
nada. Maravilha.
[…]
autografia
um filme de miguel gonçalves mendes
a phala 1#2007
de s. jerónimo a cesariny
segunda-feira, 16 de março de 2015
Amália Rodrigues no Chiado
Editadas as gravações de 1951 (antes das de Londres), feitas na Valentim de Carvalho e que estavam guardadas em bobines magnéticas... É um som puro, numa voz límpida, fresca e deliciosamente forte. Não pecam em ouvir esta "pérola" saída em finais de 2014.
sábado, 14 de março de 2015
Amelie - La Valse D'Amelie (Piano)
Composed by Yann Teiersen.All the Amelie music bought Yann Teirsen in limelight and now he is compared with other musicians like Chopin, Erik Satie, Phillip Glass and Michael Nyman.His music is recognized by its use of a large variety of instruments in relatively minimalist compositions, often with a touch of either European classical music or french folk music, using primarily the piano, accordion or violin together with instruments like the melodica, xylophone, toy piano, ondes martenot, harpsichord and typewriter
This is one my fav number from Amelie.
Apart from the song this movie is truly amazing. I should say a must watch
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