quarta-feira, 22 de abril de 2015

ROMANCE(S) - Dois Ponteiros



ROMANCE(S) - CD II

Letra: Maria do Rosário Pedreira /
Música: Frederico de Brito (Fado Britinho)
Voz: Aldina Duarte
Produção, arranjos e acompanhamento musical:
Pedro Gonçalves
Editora:Sony Music

"Romance(s) é como um único fado em vários andamentos, uma história que Maria do Rosário Pedreira escreveu, Aldina Duarte cantou e Pedro Gonçalves, dos Dead Combo, produziu. Isto em dois discos: um fiel ao fado tradicional, o outro contando a mesma história como num filme.

Um romance cantado em 12 fados tradicionais, uma história de um triângulo amoroso que joga com estereótipos (a morena e a loira, o amor e a amizade) para deles extrair muito mais do que as aparências. E a mesma história reinventada por Pedro Gonçalves, que criou um segundo disco para a contar como se fosse uma banda sonora pop. Depois de Apenas O Amor (2004), Crua (2006), Mulheres Ao Espelho (2008) e Contos De Fados (2011), Aldina Duarte tem em Romance(s) o seu maior e mais arriscado desafio até à data. Curioso paralelo: o trio fictício da história ficou nas mãos de um trio criativo real (Rosário, Aldina e Pedro), que produziu uma obra extraordinária. Chega às lojas no dia 27 de Abril."

extracto da Entrevista, de NUNO PACHECO, in: Jornal "Público", de  22/04/2015  
ler completo em: www.publico.pt/




domingo, 5 de abril de 2015

N'Gola Ritmos - Monami





Lourdes Van-Dunem, ou Tia Lourdes como era conhecida em Angola, canta com os célebre N'Gola Ritmos para a RTP em 1964.



Esta é uma actuação histórica do grupo fundado por "Liceu" Vieira Dias, que viria a sofrer uma enorme repressão, terminando na prisão de dois dos seus fundadores (Amadeu e Liceu).
Por esta altura quem assegurava o grupo eram Nino, Fontinhas, Xôdo, Zé Cordeiro, Lourdes e Gégé.
Uma pérola a recordar.



O NGola Ritmos foi criado por Carlos ‘’Liceu’’ Viera Dias, Domingos Van-Dúnem, Mário da Silva Araújo, Manuel dos Passos e Nino Ndongo em 1947 como forma de afirmar a identidade angolana. As músicas eram cantadas em kimbundu, acompanhadas de violão e percussão. Nos anos 50, o grupo passou a ser formado por Liceu, Nino, Amadeu Amorim, José Maria, Euclides Fontes Pereira, José Cordeira, Lourdes Van-Dúnem e Belita Palma. Carlitos Vieira Dias uma vez disse: “o Semba é uma adaptação do ritmo Kazukuta".

Joan Baez "Diamonds & Rust"





"Diamonds & Rust", a song about Bob Dylan, written and performed by Joan Baez, is from her A&M album of the same name. Released as a single in July 1975, it achieved number 35 on the U.S. pop singles chart. The album reached number 11 on the the Billboard 200 chart, and available on CD. This sound recording is administered by UMG. I do not own the right to the song, audio, or images contained in this video. No copyright infringement is intended. This purpose of this upload is for viewer enjoyment and education not for monetary gain.




Fernando Pessoa_Livro do Desassossego _27-6-1930

27-6-1930

A vida é para nós o que concebemos dela. Para o rústico cujo campo próprio lhe é tudo, esse campo é um império. Para o César cujo império lhe ainda é pouco, esse império é um campo: O pobre possui um império; o grande possui um campo. Na verdade, não possuímos mais do que as nossas próprias sensações; nelas, pois, que não no que elas vêem, temos que fundamentar a realidade da nossa vida.

/ Isto não vêm a propósito de nada. /

in: Fernando Pessoa_Livro do Desassossego

quarta-feira, 18 de março de 2015

mário cesariny | autografia



[…]
M.C. - «Queria de ti um país de bondade e de bruma
queria de ti um mar de uma rosa de espuma».
Olha, eu não sei se realmente era isso que eu queria…
não sei… posso tê-lo querido. Posso ter desejado isso
diante de algumas adversidades. O poema também é
verdade, não te vou dizer mais que o que está lá escrito.
É aquilo! Fomos sempre lunáticos, lunáticos do passado
e lunáticos do futuro, não há nenhum país que esteja
quatrocentos anos à espera que um rei reapareça. Não
existe. E depois aparece um borra-botas, é ele!
Trezentos anos depois! Isto é fantástico, isto é bonito
até. É um povo menino, um povo criança, não é?
Mas depois não dá para ser país. Como a Alemanha.
Não dá… E querem que sejamos, querem-nos…
A CEE quer isso. Que sejamos. Que cresçamos.
Há uma coisa muito bonita, eu não sei alemão, e em
inglês também não averiguei, eu tenho ali um
dicionário de marinha, isto é assim, o barco assim,
a vela assado, depois há uma expressão que diz assim:
«dar a volta ao mundo», que é uma operação no alto
mar, mas tu sabes o que isto é? É fazer uma rotação
completa com o barco. Quer dizer, o mundo são eles,
não é o que está fora.
Mas suspeito muito de que isto só cá. Dar a volta ao
mundo é ir a Berlim e a Pequim, não é? Não, não, não.
É dar uma volta a esta cadeira onde eu estou, dei a
Volta ao mundo, porque o mundo sou eu.


M.C - Não, não pode ser dor. Pode-se ter saudade
de um paraíso, sabes? Saudades do inferno é que
ninguém tem. E o Pascoaes disse isso, que a saudade
é uma conjunção, um anel, um anseio de um passado
já desaparecido e de um futuro também, a chegar.
São duas coisas juntas. Porque tornar presente uma
coisa que já passou, já é de alguma maneira futurá-la,
não é?
Tenho ali muitos livros sobre a saudade… agora, é
uma coisa um bocado portuguesa, não é? Porque
somos um país aqui do extremo da Europa, aqui à
beira-mar… não temos muitas hipóteses. Então,
sonhamos, sonhamos muito. Muito sonhadores…
quer dizer… tenho saudades de comer uma grande
lagosta, tenho saudades de quê? De?...
olha, tenho saudades de voar! Ah! Isso tenho!
Porque eu, não sei desde quando, mas quase desde
miúdo, até aos cinquenta anos, todas as noites,
eu já adormecia a sorrir de gozo, porque sonhava
SEMPRE que voava, e era uma coisa tão boa,
tão boa… uiiiii!
E eu orientava-me! E depois não tinha… quer dizer,
não havia paisagem. Era o espaço puro… não se via
nada. Maravilha.
[…]




autografia
um filme de miguel gonçalves mendes
a phala 1#2007
de s. jerónimo a cesariny


segunda-feira, 16 de março de 2015

Amália Rodrigues no Chiado





Editadas as gravações de 1951 (antes das de Londres), feitas na Valentim de Carvalho e que estavam guardadas em bobines magnéticas... É um som puro, numa voz límpida, fresca e deliciosamente forte. Não pecam em ouvir esta "pérola" saída em finais de 2014.


sábado, 14 de março de 2015

Amelie - La Valse D'Amelie (Piano)









Composed by Yann Teiersen.All the Amelie music bought Yann Teirsen in limelight and now he is compared with other musicians like Chopin, Erik Satie, Phillip Glass and Michael Nyman.His music is recognized by its use of a large variety of instruments in relatively minimalist compositions, often with a touch of either European classical music or french folk music, using primarily the piano, accordion or violin together with instruments like the melodica, xylophone, toy piano, ondes martenot, harpsichord and typewriter

This is one my fav number from Amelie.

Apart from the song this movie is truly amazing. I should say a must watch




sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

jorge de sousa braga _ portugal

    Portugal

    Eu tenho vinte e dois anos e tu às vezes fazes-me sentir como se tivesse
    oitocentos
    Que culpa tive eu que D. Sebastião fosse combater os infiéis ao norte de
    África
    só porque não podia combater a doença que lhe atacava os órgãos genitais
    e nunca mais voltasse
    Quase chego a pensar que é tudo uma mentira
    que o Infante D. Henrique foi uma invenção do Walt Disney
    e o Nuno Álvares Pereira uma reles imitação do Príncipe Valente
    Portugal
    Não imaginas o tesão que sinto quando ouço o hino nacional
    (que os meus egrégios avós me perdoem)
    Ontem estive a jogar póker com o velho do Restelo
    Anda na consulta externa do Júlio de Matos
    Deram-lhe uns electro-choques e está a recuperar
    aparte o facto de agora me tentar convencer que nos espera um futuro de
    rosas
    Portugal
    Um dia fechei-me no Mosteiro dos Jerónimos a ver se contraía a febre do
    Império
    mas a única coisa que consegui apanhar foi um resfriado
    Virei a Torre do Tombo do avesso sem lograr uma pérola que fosse
    das rosas que Gil Eanes trouxe do Bojador
    Portugal
    Vou contar-te uma coisa que nunca contei a ninguém
    Sabes
    Estou loucamente apaixonado por ti
    Pergunto a mim mesmo
    Como me pude apaixonar por um velho decrépito e idiota como tu
    mas que tem o coração doce ainda mais doce que os pastéis de Tentugal
    e o corpo cheio de pontos negros para poder espremer à minha vontade
    Portugal estás a ouvir-me?
    Eu nasci em mil novecentos e cinquenta e sete Salazar estava no poder nada
    de ressentimentos
    um dia bebi vinagre nada de ressentimentos
    Portugal
    Sabes de que cor são os meus olhos?
    São castanhos como os da minha mãe
    Portugal
    gostava de te beijar muito apaixonadamente
    na boca

    jorge de sousa braga

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Rodrigo Costa Félix - Amigo Aprendiz




POEMA  AMIGO APRENDIZ _ Fernando Pessoa.



Quero ser o teu amigo.
Nem demais e nem de menos.
Nem tão longe e nem tão perto.
Na medida mais precisa que eu puder.
Mas amar-te sem medida e ficar na tua vida,
Da maneira mais discreta que eu souber.
Sem tirar-te a liberdade, sem jamais te sufocar.
Sem forçar tua vontade.
Sem falar, quando for hora de calar.
E sem calar, quando for hora de falar.
Nem ausente, nem presente por demais.
Simplesmente, calmamente, ser-te paz.
É bonito ser amigo, mas confesso: é tão difícil aprender!
E por isso eu te suplico paciência.
Vou encher este teu rosto de lembranças,
Dá-me tempo de acertar nossas distâncias

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Ana Moura *Desfado #08* A Fadista



Letra de Manuela de Freitas

A Fadista
Ana Moura

Vestido negro cingido
Cabelo negro comprido
E negro xaile bordado
Subindo à noite a Avenida
Quem passa julga-a perdida
Mulher de vício e pecado
E vai sendo confundida
Insultada e perseguida
P'lo convite costumado

Entra no café cantante
Seguida em tom provocante
P'los que querem comprá-la
Uma guitarra a trinar
Uma sombra devagar
Avança para o meio da sala
Ela começa a cantar
E os que a queriam comprar
Sentam-se à mesa a olhá-la

Canto antigo e tão profundo
Que vindo do fim do mundo
É prece, pranto ou pregão
E todos os que a ouviam
À luz das velas pareciam
Devotos em oração
E os que há pouco a ofendiam
De olhos fechado ouviam
Como a pedir-lhe perdão

Vestido negro cingido
Cabelo negro comprido
E negro xaile traçado
Cantando pra aquela mesa
Ela dá-lhes a certeza
De já lhes ter perdoado
E em frente dela na mesa
Como em prece a uma deusa
Em silêncio ouve-se o fado