sexta-feira, 16 de outubro de 2020

RR_Opinião de Graça Franco

 

Calamidade é a ditadura sanitária que aí vem

15 out, 2020• Opinião de Graça Franco


Não quero. Não tenho dinheiro para pagar 500 euros de multa diária, mas disso já não tenho medo. Venham as multas. As leis que nos envergonham não são para cumprir. Venderam-nos a ideia de que a aplicação Stayaway Covid era de instalação meramente voluntária. Tudo bem. Obrigatória não aceito.

Garanto que não tenho segredos a esconder. Os meus passos podem ser escrutinados. Só tenho medo do medo. Do medo, acreditem que eu tenho mesmo muito medo. Não quero ter um número escrito no braço. Não quero ter um chip na pele. Não temo ter um polícia, sem mandato, a entrar-me, pela casa dentro, para contar quantos comensais tenho à mesa (normalmente são sete, mas muitas vezes são onze entre pais, filhos e netos).

Jantar é um direito. Não vou abdicar dele, mas reconheço que já percebi, a minha sala não o permite. Não voltaremos a jantar ao mesmo tempo. Vamos jantar por turnos: cinco primeiro e cinco na ronda seguinte. Rotativamente, um vai comer na cozinha. Os senhores agentes estejam tranquilos, não precisam de nos visitar. Mesmo se derem por sinais de festa. Mas instalar aplicações não instalo.

Por outro lado, não me indignarei se ignorando a sabedoria popular (“a boda e a batizado não vás sem ser convidado!”) se aplicar uma exceção para os guardas. Não me custa que fiscalizem se, em vez do máximo de 50 convidados estão lá 100, o que, além de ilegal, constitui ameaça grave à saúde e felicidade dos noivos. Ninguém quer ver a família e amigos hospitalizados no regresso da lua de mel. Se o bom senso prevalecer nada a opor à visita das autoridades. Mas obrigar os convivas a instalar a aplicação é que já me parece “abuso de autoridade”.

Um Governo que gasta milhares de milhares de milhões na TAP e Novo Banco, e continua a não ter uma estratégia para evitar notícias como a desta quinta-feira (em Évora lar de idosos com 97 infetados!) É um Governo sem moralidade para ir gastar dinheiro a oferecer telemóveis aos portugueses desses que possam trazer a aplicação (mantenha a Covid longe…) já instalada. Mas, mesmo que tivessem essa ideia peregrina, eu não queria. E senão que igualdade é essa que impõe aos portugueses, com dinheiro e bons telemóveis, uma aplicação, e deixa os pobres sem essa “importantíssima” arma de defesa?

Não quero. Não tenho dinheiro para pagar 500 euros de multa diária, mas disso já não tenho medo. Venham as multas. As leis que nos envergonham não são para cumprir. Venderam-nos a ideia de que a dita aplicação era de instalação meramente voluntária. Tudo bem. Obrigatória não aceito. Além disso, não gosto que me mintam. Deixem-na como está. Quem quer descarrega-a. Quem não quer, não descarrega. Eu não quero. Falo por mim. Se outros acharem bem, usem-na. Não quero ficar com o ónus de contribuir para que não se salve a vida de alguém.

Não gosto de ter um detetor de “localização de contactos” em permanência comigo. Nem em contexto laboral, nem entre funcionários públicos, nem nas escolas e universidades, nem em contexto nenhum. Acho coisa de má memória. Tipo caderno dos agentes da PIDE. Polícia que também achava o comunismo (e outras ideias subversivas, como as da doutrina social da Igreja) perigosas “doenças contagiosas”, que urgia erradicar da sociedade. Aliás recorria ao internamento compulsivo e ao isolamento obrigatório dos “doentes” detetados ou dos seus contactos “suspeitos” não fossem também contraírem esses vírus. No mínimo, colocava-os em quarentena.

Se querem passar do estado de calamidade para o estado de emergência, passem. Se querem limitar direitos liberdades e garantias em nome da saúde pública. façam-no. Há coisas que é preciso assumir antes, para agir depois. A Democracia tem regras e não as podemos “suspender”. Acredito que até um presidente hipocondríaco não deixará de nos proteger desse passo em falso. É preciso ter vergonha. Eu sinto vergonha alheia. Por ações e omissões como esta.


Agradeço o cuidado, mas não quero. Nem que me ofereçam. Mesmo uma aplicação embrulhada num telemóvel de última geração. Não quero que o ofereçam aos meus filhos e netos. Será a ideia mesmo essa? Alguém teve a ideia de em vez de comprar Magalhães comprar telemóveis para distribuir, nas escolas, com a falsa desculpa de que está a proceder à “digitalização” do projeto “escola segura”? Quem sabe a União Europeia ainda vai pagar às grandes operadoras, parceiras em novo negócio. Brinco? Não sei. Já nada nos espanta. Em matéria de negociatas já vimos de tudo.

Perdoem se exorbito. Desculpem lançar a suspeição. Mas se há alunos pobres, sem telemóvel, ou com aqueles básicos onde não cabe a aplicação e ricos que tem aparelhos de última geração como os obrigar a todos a usar um equipamento idêntico? Ou será apenas mais uma forma de garantir que num país tão “webizado” uma app tão cara não passou de um “flop”?

Para mim é uma questão de coerência. Defendo que como já existe em muitos países as novas tecnologias fiquem à porta da sala de aula exceto quando servem para aprender e ensinar. O espaço de ensino é sagrado. Exige concentração. Os alunos não precisam de controle a tempo inteiro. Devem ser autónomos e responsáveis. Devem ter o telemóvel “q.b” segundo a respetiva idade e necessidade. O tempo de estudar não deve conflituar com o tempo para “jogar” e menos ainda aceito que devam passar a usar pulseira sanitária eletrónica.

Os jovens, em vez de andar de cabeça baixa, precisam de aprender a usar a cabeça para a manter erguida e os olhos para contemplar o mundo e não para os fixar no ecrã, sobretudo nas escolas.

Tente António Costa impor a obrigatoriedade de uso de uma aplicação, como esta, e eu retirarei as devidas consequências: já estaremos em Estado de Emergência porque caiu subitamente sobre nós a pior das calamidades: a perda da liberdade e o início da uma ditadura sanitária.

A história ensina-nos que todas começaram assim: com o embalo e a aprovação de um povo temente, reverente e sobretudo ignorante e obrigado pouco consciente dos seus direitos. Cheio de medo. É este o nome do vírus? Ou ainda estamos a falar do Covid?

Não podemos contemporizar com uma sociedade assim que coloca os seus velhos em “solitária” encerrados em celas de isolamento profilático, mesmo que a prisão seja domiciliária, sem contar com os que de entre eles se encontram já condenados a prisão perpétua , num corredor de morte em solidão, vendo o fim minado por extremo e inexplicável sofrimento, numa tortura que a sociedade tolera e contra a qual ninguém se indigna.

Para cúmulo uma sociedade com um Parlamento que tem a lata de ir debater a eutanásia na próxima semana, sem rebuço e sem vergonha de antes não debater as verbas orçamentais exigíveis para resolver um problema urgente que lhes devolveria a dignidade e a vida envolvendo muito menos dinheiro do que o Orçamento tem destinado ao Novo Banco e à TAP?

Vale a pena ler a última nota da Comissão Nacional Justiça e Paz sobre o que se espera dos políticos em relação aos lares de idoso (o texto divulgado esta quarta-feira) e já agora ler também a par da carta aberta dos ex-bastonários enviada à ministra da saúde. Boas leituras de fim-de-semana.

Só vão pelo caminho certo os que o escolhem e sabem para onde vão e também os que não sabem nem o caminho nem para onde querem ir. O Governo não tem dúvidas de que vai pelo caminho certo. A certeza vem-lhe de qual dos dois motivos?

COMENTÁRIOS
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  • OBSERVADOR
    16 OUT, 2020 PORTUGAL 07:28
    A aplicação em si, é praticamente inútil: mesmo que todos a tenham e tenham colocado os códigos - coisa que muitos não fazem com receio de serem marginalizados e não só - a app demora no minimo 15 minutos a assinalar a presença próxima de infetado. Se o tempo de proximidade for inferior, então nem assinala nada. Acrescente-se que partes do código nunca foram publicadas - o que querem esconder? - e há sempre atualizações que acrescentam "coisas"- isso de a privacidade estar assegurada tem muito que se lhe diga. Porquê então este frenesim de A.Costa? Fácil: o governo falhou no controle da pandemia, mas como isso não pode ser assumido, Então anda à procura de desculpas: os "culpados" serão os partidos que votarem contra, o presidente que vetou uma "sábia" medida do governo, o Tribunal Constitucional que afinal é uma "força de bloqueio", ou por fim a população que é anti-patriota e irresponsável. Assim o governo-PS sacode a água do capote e pelo meio arrecada algum em multas. O PSD do parolo do norte como parceirinho manso do bloco Central, já admite viabilizar esta intrusão, felizmente BE e PCP têm votos suficientes para pedir a fiscalização pelo Tribunal Constitucional.
  • JOSÉ J C CRUZ PINTO
    15 OUT, 2020 ILHAVO 17:26
    Que relação há entre a "má disposição" e o "partir de loiça" no artigo desta habitualmente serena senhora e a notícia: "O Governo quer tornar obrigatório o uso da aplicação stayaway covid em contexto laboral, escolar e académico para quem tem um telemóvel que permita aquela aplicação que permite rastrear casos de covid-19. De acordo com a proposta de lei enviada para o Parlamento e a que a Renascença teve acesso essa obrigatoriedade abrange em especial os funcionários públicos, os agentes de segurança e as forças armadas."? Muito pouca, ou mesmo nenhuma. Nunca lhe li tanto fel a barrar um artigo, ainda para mais extremamente mal escrito (tanta a desvairada fúria), e sem outro nexo que não seja a de deixar explodir desmedida contrariedade e irritação, tudo nele misturando, arremessando cacos em todas as direcções - até a eutanásia (apesar de - diga -se - poder ser este o único tema em que, isoladamente e sem as fúrias, alguma ou mesmo muita razão lhe consigo reconhecer. Pronto - desisto. Nunca mais lerei nem ouvirei esta senhora! É uma total perda de tempo e fonte de forte indisposição.
  • IVO PESTANA
    15 OUT, 2020 FUNCHAL 16:23
    Eu também não quero aplicações tontas, que nada resolvem. Infetados vai haver sempre. Venham mas , as vacinas.
  • PEDRO FONSECA
    15 OUT, 2020 BRAGA 14:39
    Por favor leia o FAQ da aplicação Stayaway antes de escrever tanta parvoíce. Obrigado.
 
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sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Dulce Pontes "Meu Amor sem Aranjuez"


 


Letra: Dulce Pontes
Composição: Joaquín Rodrigo
Álbum: Peregrinação _2017  

Meu amor, ao passar das horas
Meu amor, o tempo leva o sonho dum amor maior
Fica pequeno sem sabor
Meu amor sem Aranjuez
O que fez a saudade ser outra vez
Uma gaivota em pleno céu a libertar o coração sem voar
Meu amor que amor não se fez
Só eu sei dos caminhos que não encontrei
Das duras pedras a cobrir tão fatigado coração
Sem pão de sustentar, sem dar a mão o céu se desfez
Sem sabor nossas vidas sempre por um fio
Um fio de fogo, um fio de prumo no vazio
Abismo antigo onde voar é abrir as asas e sangrar
Só eu sei dos caminhos onde me encontrei
Das rubras penas sem quebrar meu fatigado coração
Sem pão de sustentar das mãos de Deus me fiz renascer
Ó meu amor, que amor não se fez
Meu amor, nossas vidas sempre por um fio
Um fio de fogo, um fio de prumo no vazio
Abismo antigo onde voar é abrir as asas e sangrar

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

Futuro aeroporto do Montijo: Um desastre anunciado

 "Investigadores escrevem artigo na Science a pressionar contra aeroporto no Montijo



Investigadores portugueses acusam o governo português de ir contra os objetivos do Pacto Ecológico Europeu ao persistir na construção do aeroporto no Montijo, apontando sobretudo o efeito destrutivo em centenas de milhares de aves no estuário do Tejo.



© ANA - Aeroportos de Portugal

DN/Lusa17 Setembro 2020 — 20:33

Num artigo em formato de carta, que sai esta quinta-feira na edição da revista científica Science, argumenta-se que prosseguir com o aeroporto é o contrário de "combater a mudança climática global e reverter a crise da biodiversidade", com um impacto que se verifica, sobretudo, nas aves que procuram o estuário do Tejo.

Em declarações à Lusa, o biólogo José Alves, da Universidade de Aveiro, coautor com Maria Dias, da organização Birdlife, afirmou esperar que "a mensagem chegue lá fora" e que isso ajude a pôr pressão sobre o Governo português, para que "o bom senso" impere e não se avance com a construção.

O que está em causa não diz respeito apenas a Portugal e a questão das aves migratórias, "não é uma discussão para fazer apenas a nível nacional", porque "há outros países que partilham estas aves e que investem na sua proteção, porque já estão numa trajetória de declínio".


Holanda, Dinamarca, Alemanha e Reino Unido são alguns dos países que partilham pontos nas rotas destas aves, que ocupam às centenas de milhares o espaço do estuário do rio Tejo.

"Estamos a falar de 200 mil aves no Inverno e 300 mil nos períodos migratórios", indicou.

Movimentos e investigadores na Holanda e na Alemanha, por exemplo, "estão atentos, a questionar o que se passa e o que está em cima da mesa", referiu.

O maçarico-de-bico-direito, de que há "80 mil exemplares no estuário do Tejo", tal como o pilrito-comum ou a seixoeira estão entre as espécies de aves sobre as quais o voo de aviões a baixa altitude terá "impactos muito assinaláveis".

"A ideia de que as aves, porque voam, se podem deslocar para outros lugares, não corresponde à realidade. Estas aves, apesar de voarem milhares de quilómetros, são fiéis aos locais para onde migram, por vezes ao quilómetro quadrado", referiu.

Haverá mesmo aviões a sobrevoar parte da Reserva Natural do Estuário do Tejo e, em última análise, as aves acabarão por morrer, salienta o biológo.

"Com os voos, com os altos níveis de ruído, o que acontece é uma perda de 'habitat', mesmo sem construção efetiva. Perdem o seu alimento e as populações diminuem. Perdemos aves", declarou.

Os autores salientam na carta que "praticamente metade do estuário do Tejo será impactado e não pode ser substituído", notando que a declaração de impacto ambiental da Agência Portuguesa do Ambiente tem por base um parecer favorável do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas que contraria o "o parecer interno desfavorável dos seus técnicos".

Há "falta de informação, erros técnicos e adoção de critérios subjetivos", criticam, considerando ainda que "as medidas de compensação propostas para as aves não são eficazes" porque não terão para onde ir.

José Alves e Maria Silva assinalam a ironia de Portugal ter conseguido o título de Capital Verde Europeia alegando a proximidade do estuário do Tejo e de estar na calha um projeto como o do Montijo, que além do impacto nas aves irá gerar "um aumento substancial nas emissões de carbono" em torno da capital.

"Este é um exemplo evidente de uma tentativa de um estado-membro em desconsiderar diretrizes de conservação, acordos internacionais de proteção de espécies e habitats e os anúncios que o próprio Governo faz na promoção de um futuro mais sustentável e sem emissões de carbono", acusam os investigadores."

in: jornal "Diario de Noticias"

sábado, 22 de agosto de 2020

Ernest Dowson

"Não duram muito
O choro e o riso
O amor, o desejo e o ódio
Creio que não fazem parte de nós
Depois de passarmos o portal


Não duram muito
Os dias de vinho e de rosas
De um sonho brumoso
O nosso caminho emerge por um bocado
E depois fecha-se
Dentro de um sonho"


Ernest Dowson

sexta-feira, 21 de agosto de 2020

Iris Feijen & Tiago Lageira


Cantora holandesa vence concurso 
“We Want More”, no seu país, a cantar Carminho, Mariza e Camané

terça-feira, 11 de agosto de 2020

Waldemar Bastos_último canto

Um dia, meu irmão, hei-de
Homenagear-te
Hoje não
Hoje fica o silêncio da tua voz
A fazer-me companhia 
Hoje ainda não tenho palavras
Para  descrever tão triste emoção.
Recordo-te na primeira fila
Meu arrepio de pele
A cantares na "Expo 98"
Tanto tempo…
Quando o teu tempo
Era outro
Que hoje termina.
Só isso me vem 'a recordação.
LMC

Waldemar dos Santos Alonso de Almeida Bastos, conhecido como Waldemar Bastos,
nasceu em 4 de Janeiro de 1954 e faleceu ontem, 9 de Agosto de 2020

A  19 de Junho de 2020  (data de emissão), Waldemar Bastos canta provavelmente pela última vez. 
AQUI: o episódio completo.



"O músico angolano Waldemar Bastos, um dos mais respeitados artistas lusófonos da world music e dos primeiros artistas de Angola a alcançar a internacionalização, morreu esta segunda-feira de madrugada em Lisboa, aos 66 anos, disse à agência Lusa o Ministério da Cultura de Angola. Radicado em Portugal, estava em tratamentos oncológicos desde há um ano, referiu a mesma fonte.

Com um percurso profissional de mais de quatro décadas, Waldemar Bastos apresentava uma sonoridade que o próprio definia como afro-luso-atlântica, marcada por composições de cariz autobiográfico e influências da cultura africana e portuguesa. Rainha Ginga, Velha Chica e Muxima são alguns dos temas que o tornaram conhecido." - in: "Observador" AQUI: