domingo, 30 de novembro de 2014
sexta-feira, 28 de novembro de 2014
maria do rosário pedreira _ guarda tu agora
guarda tu agora
Guarda tu agora o que eu, subitamente, perdi
talvez para sempre - a casa e o cheiro dos livros,
a suave respiração do tempo, palavras, a verdade,
camas desfeitas algures pela manhã,
o abrigo de um corpo agitado no seu sono. Guarda-o
serenamente e sem pressa, como eu nunca soube.
E protege-o de todos os invernos - dos caminhos
de lama e das vozes mais frias. Afaga-lhe
as feridas devagar, com as mãos e os lábios,
para que jamais sangrem. E ouve, de noite,
a sua respiração cálida e ofegante
no compasso dos sonhos, que é onde se esconde
os mais escondidos medos e anseios.
Não deixes nunca que se ouça sozinho no que diz
antes de adormecer. E depois aguarda que,
na escuridão do quarto, seja ele a abraçar-te,
ainda que não te tenha revelado uma só vez que o queria.
Acorda mais cedo e demora-te a olhá-lo à luz azul
que os dias trazem à casa quando são tranquilos.
E nada lhe peças de manhã - as manhãs pertencem-lhe;
deixa-o a regar os vasos na varanda e sai,
atravessa a rua enquanto ainda houver sol. E assim
haverá sempre sol e para sempre o terás,
como para sempre o terei perdido eu, subitamente,
por assim não ter feito.
maria do rosário pedreira
a casa e o cheiro os livros
gótica
2002
ADRIANO CORREIA DE OLIVEIRA - CANTAR DE EMIGRAÇÃO
Letra:
Este parte, aquele parte
e todos, todos se vão
Galiza ficas sem homens
que possam cortar teu pão
Tens em troca
órfãos e órfãs
tens campos de solidão
tens mães que não têm filhos
filhos que não têm pai
Coração
que tens e sofre
longas ausências mortais
viúvas de vivos mortos
que ninguém consolará
Adriano Correia de Oliveira - Canção com Lágrimas
Eu canto para ti um mês de giestas
Um mês de morte e crescimento ó meu amigo
Como um cristal partindo-se plangente
No fundo da memória perturbada
Eu canto para ti um mês onde começa a mágoa
E um coração poisado sobre a tua ausência
Eu canto um mês com lágrimas e sol o grave mês
Em que os mortos amados batem à porta do poema
Porque tu me disseste quem em dera em Lisboa
Quem me dera me Maio depois morreste
Com Lisboa tão longe ó meu irmão tão breve
Que nunca mais acenderás no meu o teu cigarro
Eu canto para ti Lisboa à tua espera
Teu nome escrito com ternura sobre as águas
E o teu retrato em cada rua onde não passas
Trazendo no sorriso a flor do mês de Maio
Porque tu me disseste quem em dera em Maio
Porque te vi morrer eu canto para ti
Lisboa e o sol Lisboa com lágrimas
Lisboa a tua espera ó meu irmão tão breve
Eu canto para ti Lisboa à tua espera...
quinta-feira, 27 de novembro de 2014
Rokia Traore - Sabali
Rokia Traores song Sabali,
along with a beautiful slideshow of africa and its people.
Ayub Ogada - Kothbiro
Kenyan singer-songwriter Ayub Ogada was a busker on the Northern Line when he came to Real World's attention in the late 80s. And this 1993 set - his only record for the label - proved that it was a meeting of minds, with his disarmingly simple arrangements, allowed to hang there unadorned, making a lasting
Ayub Ogada - Kothbiro
Kenyan singer-songwriter Ayub Ogada was a busker on the Northern Line when he came to Real World's attention in the late 80s. And this 1993 set - his only record for the label - proved that it was a meeting of minds, with his disarmingly simple arrangements, allowed to hang there unadorned, making a lasting
Acabe com as quedas para a desgraça - APSI
Publicado a 16/11/2014
“Acabe com as quedas para a desgraça” é uma campanha A.P.S.I. de sensibilização com o objetivo de alertar para o problema das quedas nas crianças. Estas quedas, especialmente graves quando ocorrem de alturas elevadas, nomeadamente de janelas e varandas sem proteção adequada, conduzem em muitos casos à morte.
A associação quer atingir públicos distintos: os encarregados de educação para que se informem sobre as medidas de segurança a tomar; os projetistas e construtores para que adotem as melhores práticas de projeto e construção; e o poder local e central, que deve garantir a criação de legislação e normas harmonizadas de construção.
As situações de risco e os conselhos de segurança, estão disponíveis em http://apsi.org.pt/
Conceito, Realização e Edição: Luís Mileu e Ricardo Henriques
Música: Menina Estás à Janela de Vitorino
Voz: Maria Ana Bobone
Produção áudio: Rodrigo Serrão I K Branca Music
Produção: APSI
Apoio: Fundação Calouste Gulbenkian
O emprego mais difícil do mundo - legendas em português
Vídeo exibido em homenagem ao Dia das Mães, 2014
terça-feira, 25 de novembro de 2014
Manuel Freire - Pedra Filosofal
Pedra Filosofal
Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.
Eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.
Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é Cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.
Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida.
Que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.
António Gedeão
segunda-feira, 24 de novembro de 2014
Cante alentejano - Candidatura a Património Imaterial
Cante alentejano - Filme de candidatura à lista de património imaterial da humanidade UNESCO.
Canção de Lisboa ... Jorge Palma.
A cançao de Lisboa cantada por Jorge Palma e com fotos de Lisboa...
Uma singela homenagem a Lisboa e a Jorge Palma
João Afonso e João Lucas ::: A presença das formigas (Um Redondo Vocábul...
João Afonso e João Lucas //
'A Presença das Formigas' // do álbum
'Um Redondo Vocábulo' de 2009 //
Carminho - Chuva no Mar com Marisa Monte
Publicado a 11/11/2014
Retirado do álbum "Canto" (2014)
Música: Marisa Monte
Letra: Arnaldo Antunes
Música: Marisa Monte
Letra: Arnaldo Antunes
Rádio Comercial | Parabéns Carlos do Carmo
Publicado a 20/11/2014
No dia em que recebe o Grammy "Lifetime Achievement Award", Carlos do Carmo recebe a homenagem da Rádio Comercial
Rádio Comercial | Making Of dos 'Parabéns a Carlos do Carmo'
A Rádio Comercial juntou 35 artistas para cantarem "Lisboa Menina e Moça”, como tributo ao Grammy "Lifetime Achievement Award" que Carlos do Carmo recebeu.
Aqui está o making of da música e vídeo.
sábado, 22 de novembro de 2014
Manoel de Barros_19/12/1916 - 13/11/2014
19/12/1916 - 13/11/2014![]() |
| Manoel de Barros |
Venho de um Cuiabá de garimpos e de ruelas entortadas.
Meu pai teve uma venda no Beco da Marinha, onde nasci.
Me criei no Pantanal de Corumbá entre bichos do chão, aves, pessoas humildes, árvores e rios.
Aprecio viver em lugares decadentes por gosto de estar entre pedras e lagartos.
Já publiquei 10 livros de poesia: ao publicá-los me sinto meio desonrado e fujo para o Pantanal onde sou abençoado a garças.
Me procurei a vida inteira e não me achei — pelo que fui salvo.
Não estou na sarjeta porque herdei uma fazenda de gado.
Os bois me recriam. Agora eu sou tão ocaso!
Estou na categoria de sofrer da moral porque só faço coisas inúteis.
No meu morrer tem uma dor de árvore.
- Manoel de Barros,
in: "Livro das Ignorãças"
Me procurei a vida inteira e não me achei — pelo que fui salvo.
Não estou na sarjeta porque herdei uma fazenda de gado.
Os bois me recriam. Agora eu sou tão ocaso!
Estou na categoria de sofrer da moral porque só faço coisas inúteis.
No meu morrer tem uma dor de árvore.
- Manoel de Barros,
in: "Livro das Ignorãças"
sexta-feira, 21 de novembro de 2014
alexandre o'neill / amor
amor
alexandre o'neill
O amor é o amor- e depois?
Vamos ficar os dois
a imaginar, a imaginar?...
O meu peito contra o teu peito,
cortando o mar, cortando o ar.
Num leito
há todo o espaço para amar!
Na nossa carne estamos
sem destino, sem medo, sem pudor,
e trocamos- e somos um? somos dois?
espírito e calor!
O amor é o amor e depois?!
álvaro de campos / apontamento
apontamento
A minha alma partiu-se como um vaso vazio.
Caiu pela escada excessivamente abaixo.
Caiu das mãos da criada descuidada.
Caiu, fez-se em mais pedaços do que havia loiça no vaso.
Asneira? Impossível? Sei lá!
Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu.
Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir.
Fiz barulho na queda como um vaso que se partia.
Os deuses que há debruçam-se do parapeito da escada.
E fitam os cacos que a criada deles fez de mim.
Não se zanguem com ela.
São tolerantes com ela.
O que era eu um vaso vazio?
Olham os cacos absurdamente conscientes,
Mas conscientes de si mesmos, não conscientes deles.
Olham e sorriem.
Sorriem tolerantes à criada involuntária.
Alastra a grande escadaria atapetada de estrelas.
Um caco brilha, virado do exterior lustroso, entre os astros.
A minha obra? A minha alma principal? A minha vida?
Um caco.
E os deuses olham-no especialmente, pois não sabem porque ficou ali.
álvaro de campos
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