sábado, 15 de julho de 2017

Manuel Veiga_EU SEI QUE PASSO...


Na escrita de MV, tanto em prosa como em poesia, encontramos a subtil firmeza das palavras, num claro e empolgante sentido de afirmação.
Sem metáforas afloradas, directo e constante, deixa-nos o pensamento de quem da vida faz a sua razão.
O seu 'olhar' - aliado à sensibilidade, à riqueza vocabular  e a uma excepcional cultura-, é, assim, transcrito para a delícia de quem o lê.
Este é um poema, a meu ver, como tantos outros, antológico.



EU SEI QUE PASSO...

Parto. E corto pontes
Que minha viagem é sem regresso.
Nem meu canto é gorjeio emplumado

Nem minhas dores são grito de pássaro
Gemebundo.

Passo. Eu sei que passo.
E ao passar agito. E colho tresmalhados ventos
Em meu punho fechado
Qual espera do momento
Certo para quebrar os selos
E soltar venenos.
E tempestades em riste. 

Assim não queiram meus fados
E os ventos fiquem quedos.

Manuel Veiga

1 comentário:

  1. É um poema mesmo ao jeito do Manuel Veiga. "Passo. Eu sei que passo. E ao passar agito. E colho tresmalhados ventos"
    Que mais acrescentar.
    Um beijo, Luís.

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