quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Manuel Veiga_FESTIVO FREIXO e Sua Sombra

terça-feira, fevereiro 21, 2017


FESTIVO FREIXO e Sua Sombra


Hoje a várzea e sobre o rio o festivo freixo e sua sombra
E o cantar do melro no amarelo doirado do sol em fim de dia
E esta pedra no inamovível tempo em que me sento...

Nem sequer a melancólica aragem, nem o restolhar da memória
Como insecto em flor. Nem o mel silvestre da infância.
Nem o vime. Nem a aurora do sonho. Nem o cântico nas igrejas...

Apenas o alvoroço tardio. E esta pedra absurda no caminho
Como trono. E meus dedos desfiando contas. E o mistério
Inaudito das palavras. E o perfume da dor em cada ausência...

Fenecem grinaldas. Que as cores são apenas nevoeiro
Dos sentidos. Agora o vinho é espessura em bocas de desejo
E o corpo é porto. Ardendo. Como lava em que me extingo.

Manuel Veiga



1 comentário:

  1. muito obrigado, Luis
    mais uma prova de amizade e consideração pela minha poesia
    que me sensibiliza.

    caloroso abraço, meu amigo

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